Jornalista de hoje cumpre "bem" o seu papel, diz pesquisador da área

07/09/2006 - 20h35

Ana Paula Marra
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), José Marques de Melo, disse que o jornalista de hoje está conseguindo cumprir “bem” o seu papel, mesmo com todas as mudanças, nos últimos anos, da forma de se fazer jornalismo. Ao fazer uma avaliação dos caminhos percorridos pela imprensa, o jornalista e pesquisador observou que os profissionais de comunicação continuam atuando em “prol do cidadão e da democracia”, assim como estiveram, por exemplo, na época da ditadura, apesar de toda a censura e das dificuldades da época.“A forma de se fazer jornalismo está mudando radicalmente, mas acho que o jornalista está conseguindo cumprir sua função de observar a realidade, interpretá-la e fazer com que o cidadão se sinta parte do cotidiano. O jornalista brasileiro vem dando demonstração de grande competência, de grande criatividade, estando presente no cenário dos acontecimentos e fazendo com que o cidadão comum, o leitor, se informe e possa, então, tomar decisões”. Segundo Marques, a principal mudança ocorrida na profissão se refere à velocidade da informação. “Hoje os fatos acontecem, a gente toma conhecimento deles quase instantaneamente. Do ponto de vista da transparência, muita coisa também mudou. Os fatos, por exemplo, ligados ao exercício do poder, que antes eram ocultados, hoje, na verdade, não o são. Não são porque hoje os agentes do poder público têm a consciência de que são empregados da sociedade, da opinião pública, mas também porque a imprensa está cumprindo bem o seu papel de vigilante”, disse em entrevista à Radiobrás.Ao ser indagado sobre a qualidade da cobertura jornalística dos escândalos políticos, que prevaleceram na pauta midiática deste ano, José Marques respondeu: “A imprensa, mesmo diante de todos esses acontecimentos, vem conseguindo dar transparência a tudo que acontece no Parlamento. A imprensa tem agido de forma correta e ágil. Eu sei que a forma de agir dos jornalistas muitas vezes desagrada as agências do poder público, mas a função do jornalista é essa: bisbilhotar sem ofender, garimpar sem distorcer e, sobretudo, acrescentar novos elementos aos fatos, ou seja, perguntar sempre. Quem pergunta não ofende”. Na entrevista, Marques também destacou a importância do jornalista ser sempre independente do Estado. “Na medida que for dependente do Estado, estará a serviço do governo. E o governo é uma instância que o jornalista deve observar a distância, com criticidade”, respondeu.  A professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro Sonia Virgínia Moreira também acredita que a imprensa vem cumprindo “bem” o seu papel de vigilante, mas ressaltou que ainda peca – “e muito” - por não cobrir um assunto até o fim. “Quando alguma coisa acontece, e ela tem impacto por diversas razões, a imprensa dá valor, mas, de repente, esse fato some inexplicavelmente da mídia. Então, eu acho que isso não contribui para formação e a informação das pessoas”, disse Virgínia, também em entrevista à Radiobrás. José Marques de Melo e Sonia Virgínica Moreira estão participando, em Brasília, do 29° Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação 2006. Tendo como tema central “Estado e Comunicação”, o encontro conta com a participação de estudiosos, profissionais da área e estudantes e está sendo realizado pela primeira vez na capital federal. Conforme destacou Melo, o fato de o congresso realizar-se em Brasília influenciou muito na escolha do tema. “A escolha do tema tem tudo a ver com a cidade, que é a sede do governo. Então, é natural que as pessoas quisessem aproveitar essa oportunidade para dialogar sobre as relações entre o Estado e os processos de comunicação, estabelecendo conexões entre o presente e o passado para construir um futuro promissor”, finalizou.