Juventude paulista vota 21 reivindicações para levar a encontro nacional

30/03/2008 - 18h35

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Cerca de 1.500 jovens de 15 regiões do estado definiram neste final de semana uma carta com 21 reivindicações a ser levada à Conferência Nacional da Juventude, no final de abril, em Brasília. No encontro regional encerrado hoje (30) no Parque da Juventude, na zona norte da capital, eles discutiram a implantação e o aprimoramento de projetos e políticas públicas. Segundo Mariana Montoro Jens, coordenadora da Unidade de Programas para a Juventude do governo estadual, educação e trabalho são os temas que mais chamam a atenção dos jovens, que também discutiram lazer, esporte, qualidade de vida, saúde, drogas e sexualidade, entre outros. "A educação é o tema prioritário para todas as esferas de governo. Embora o país tenha avançado muito nesse tema e São Paulo seja o estado com a maior rede, é preciso trabalhar para solidificar e melhorar o ensino", disse. Ela lembrou ainda o desafio da inserção no mercado de trabalho: "Para o jovem, particularmente, essa inserção é mais angustiante, porque é a partir disso que muitos aspectos da sua vida vão se realizar.” Na avaliação de Mariana Jens, as discussões sobre as novas formas de gestão também são importantes, porque passam por uma avaliação dos órgãos voltados para os assuntos da juventude. “As coordenadorias e sua forma de funcionar, as assessorias, secretarias, estruturas dos órgãos, como se relacionar com as outras secretarias, uma vez que o assunto está espalhado nos diversos órgãos, sem uma coordenadoria específica", afirmou.Entre as propostas que serão levadas à conferência nacional estão a garantia de acesso e permanência do jovem na escola de forma qualificada e democrática, com a incorporação das disciplinas de filosofia e sociologia; aumentar em 7% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas produzidas no país) os investimentos para garantir escola de qualidade e de ensino integral; mudança da grade curricular com implementação das matérias da área de humanas; e reintegração do ensino médio e técnico com duração de quatro anos, e do ensino de magistério no nível médio. As reivindicações incluem ainda democratização dos espaços culturais e dos meios de comunicação, com transparência nos processos de outorga em rádio e TV. Com relação ao trabalho, os jovens querem regulamentação da jornada, ampliação da qualificação profissional com passe livre para transporte do aprendiz, programas de estágio e de primeiro emprego rural e urbano, além do fomento das políticas públicas de economia solidária e incubadoras de empresas, garantindo o acesso ao crédito para empreendimentos juvenis, sob orientação e fiscalização do Ministério do Trabalho. Propostas para melhor a qualidade de vida e o lazer dos jovens também foram incluídas entre as reivindicações, como a "criação de Centros de Referência da Juventude – espaço de protagonismo, formação e vivência”. Sobre a saúde, a carta propõe que seja assegurado atendimento gratuito, de acordo com as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).