Representante da Airbus diz que Cenipa atestou condições de vôo do A320 da TAM

09/08/2007 - 21h08

Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O vice-presidente de segurança de vôo da empresa Airbus, Yannick Malinge, garantiu hoje (9) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo da Câmara que o avião da TAM que explodiu após pousar no Aeroporto de Congonhas (SP) não apresentava qualquer problema que pudesse ter provocado o acidente em que morreram 199 pessoas. Em nota, a empresa afirmou que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) havia atestado o perfeito funcionamento do A320.

Indagado sobre as possíveis causas para o acidente do dia 17 de julho, Malinge evitou comentar a eventual influência da pista principal do aeroporto ou o fato de o reverso da turbina direita do avião estar travado no momento do pouso. Ele repetiu várias vezes que ainda é cedo para saber o que aconteceu e que o mais prudente é aguardar até que o Cenipa conclua sua investigação.

Mas afirmou que a análise das informações gravadas nas caixas-pretas do avião já teria revelado que não houve qualquer anormalidade mecânica ou eletrônica antes do pouso em Congonhas. “Essa análise nos conforta, porque vemos que não houve pane mecânica”.

Malinge sugeriu como mais provável a hipótese de falha humana, ao destacar que compete aos pilotos, a partir das características de cada avião e de cada aeroporto, verificar as condições de pouso. Segundo ele, pelas normas internacionais, o uso do reverso não é obrigatório: “Essa não é uma questão que se aplique unicamente à Airbus. Cabe às autoridades internacionais refletir sobre a necessidade de rever isso”. Em depoimento à CPI no dia 2, o presidente da TAM, Marco Antonio Bologna, havia afirmado que, de acordo com o manual da Airbus, é normal a operação com o reverso "pinado" (fechado).

Para os deputados, o depoimento de Malinge foi contraditório, já que ele reconhecia a importância de esperar pelo fim das investigações quando queria evitar perguntas que comprometiam a infra-estrutura aeroportuária, a TAM e a Airbus, mas se apressava em afastar a hipótese de qualquer falha no avião.Eles consideraram precipitada a iniciativa da Airbus, de divulgar nota sobre o atestado do Cenipa, já que oficialmente esse órgão não divulgou qualquer conclusão sobre o caso. O Comando da Aeronáutica e o próprio chefe do Cenipa, brigadeiro Jorge Kersul Filho, alegam ainda não ter elementos suficientes para apontar as causas do acidente.O relator da CPI, Marco Maia (PT-RS), disse ter ficado perplexo com a declaração de Malinge: “O Cenipa precisa explicar se realmente deu autorização para a Airbus dizer que não houve falhas nos equipamentos”. Segundo Maia, se houve esse atestado do Cenipa, Kersul e o responsável pela investigação do acidente, tenente-coronel Fernando Camargo, voltarão a depor à CPI na próxima quinta-feira (16).