Brasil vai ajudar a construir fábricas de remédios e treinar técnicos em saúde na África

09/08/2007 - 20h51

Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O Brasil vai ajudar a construir fábricas de medicamentos em Moçambique e na Nigéria e formar técnicos da área de saúde – principalmente médicos e enfermeiros - nestes dois países e também em Angola. Para isso foi assinado hoje (9) um protocolo de intenções entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Petrobras.“A África, de maneira geral, tem grandes problemas no acesso a medicamentos, sobretudo aos antiretrovirais, usados para tratar da aids”, disse o presidente da Fiocruz, Paulo Buss.Além da produção de medicamentos, o presidente da Fiocruz afirmou que o laboratório de Farmanguinhos, pertencente à fundação, também detém a tecnologia de kits para diagnóstico de doenças como Aids, malária, tuberculose e leishmaniose, que poderão ser repassados aos africanos.Buss disse que também será construído um Instituto Nacional de Saúde Pública em Moçambique e outro em Angola, que chamou de “mini Fiocruz”. Segundo ele, a parceria com a Petrobras, empresa que tem interesses econômicos no continente africano, onde explora campos de petróleo, faz parte da política externa brasileira para a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da comunidade sul-americana.O presidente da Fiocruz estimou que cada fábrica de medicamentos levará de dois anos e meio a três anos para ficar pronta e custará US$ 20 milhões. Ele disse que em Moçambique já existe uma fábrica de grande porte que fabrica soros e será reformada para produzir comprimidos.Segundo o diretor de Farmanguinhos, Eduardo Costa, os três primeiros medicamentos produzidos serão antiretrovirais contra a Aids: lamivudina, nevirapina e estavudina. Costa sugeriu que, até começar a produção dos medicamentos na África, a Petrobras pode colaborar com o envio de remédios produzidos no Brasil.Buss disse que a criação da Escola de Saúde Pública de Angola será possível com a formação do primeiro escalão de dirigentes do sistema de saúde, através da preparação de 33 professores, que está sendo feita no local por técnicos da Fiocruz . Em Moçambique, segundo ele, o mestrado dos professores começa em março de 2008.“Vamos formar o primeiro time de sanitaristas públicos desses países. É um projeto que faz parte da política externa do governo brasileiro. Nós hoje temos o maior contingente de doutores da América Latina, então essas pessoas podem ajudar outros países, como nós fomos apoiados no passado pelos americanos e europeus”, destacou Buss.O diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, afirmou que o volume de recursos que a estatal vai investir ainda não está definido, o que só vai acontecer em um segundo momento. “Quem vai fazer o trabalho de identificação de necessidades é a Fiocruz. A partir deste diagnóstico, a Petrobras vai fechar um acordo onde o apoio da empresa será acertado em termos de recursos”, explicou Cerveró. A previsão é que o acordo seja assinado dentro de três meses.