Lílian de Macedo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Após prestar depoimento durante quase cinco horas na superintendência da Polícia Federal, o engenheiro João Carlos Mancuso Vilela afirmou que recebeu R$ 1 mil para participar da gravação de uma fita que denuncia um suposto esquema de corrupção nos Correios. O engenheiro, que foi preso na última quinta-feira (9) em Curitiba, foi solto depois de falar à polícia.
"Mancuso revelou que recebeu o dinheiro do advogado Joel Santos Filho porque este precisava de pessoas com conhecimento em informática para dar verossimilhança", disse o delegado responsável pelo inquérito, Luiz Flávio Zampronha. Segundo a PF, ao prestar depoimento, Joel Santos Filho confessou ter recebido R$ 5 mil para fazer a gravação.
O delegado afirmou, ao final do interrogatório, que a divulgação da fita ocorreu por interesses políticos. "Tudo leva a crer que a motivação para a revelação da fita ocorreu por interesses políticos contrários". Zampronha, no entanto, não quis citar nomes dos suspeitos.
Ele pretende ouvir o ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI) José Santos Fortuna Neves, o militar da reserva da Marinha Arlindo Gerardo Molina e o advogado Joel Santos Filho – presos desde quinta-feira (9) – antes de promover acareações. "Há a possibilidade de acarearmos o Molina e o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Mas antes vamos ouvir todos os depoimentos". Molina foi citado por Jefferson, no dia 17 de maio, como um possível envolvido no caso.
Segundo o delegado, a PF apreendeu hoje pela manhã materiais da empresa Comam, em Brasília, porque há indícios de que um dos sócios da companhia, Arthur Washeck Neto, seja o mandante das gravações. A Comam fornecia material de saúde e de informática para os Correios.
Na gravação, o ex-diretor do Departamento de Contratação e Administração de Material da estatal, Maurício Marinho, afirma que as fraudes em licitações da estatal beneficiariam o presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson.