Spensy Pimentel
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – Vou voltar à Câmara dos Deputados para "ser um entre os 513", disse há pouco José Dirceu, ministro demissionário da Casa Civil. Em um discurso de cerca de 30 minutos, Dirceu reafirmou que não pretende assumir funções de liderança partidária, mas apenas defender o governo federal, seu partido e ele mesmo das acusações. "Eu sou um de vocês e nós somos o PT", despediu-se das cerca de 1.500 pessoas presentes ao Ato em Defesa do PT e da Democracia, realizado na Casa Portugal, no bairro da Liberdade.
Segundo José Dirceu, "o que está em jogo não é a minha biografia, o que está em jogo não é a minha imagem, o que está em jogo é a nossa história, o que está em jogo é o futuro do Brasil". Ele lembrou que "nós sempre estivemos na bancada dos que lutaram contra a corrupção, nas ruas por uma CPI". E acrescentou: "Os que hoje tentam nos acusar, estavam no banco dos réus, ou estavam apoiando os que roubaram e assaltaram o país".
Para o ministro, que retomará seu mandato de deputado federal por São Paulo na próxima semana, "quando o Ministério Público e a Polícia Federal entraram fundo nos Correios e no IRB e começaram a investigar, foi a hora em que começaram a nos atacar e a nos acusar de ser corruptos".
Dirceu lembrou ainda que na última campanha eleitoral o PT declarou uma dívida de quase R$ 70 milhões à Justiça Eleitoral. "Esse é o partido honesto, que fez uma campanha, ficou devendo e declarou para a Justiça. Se fosse um partido envolvido com atos de corrupção no Estado brasileiro, não teria acabado a campanha eleitoral como acabou".
O ministro demissionário afirmou que "querem me jogar contra o Palocci, que além de meu amigo e companheiro, está fazendo aquilo que nós decidimos no governo". Elogiou a imprensa, mas ressalvou que ela às vezes se torna parcial: "Nós temos o direito, também, de mostrar os erros, e mostrar quando a imprensa começa a tomar parte".