Amorim teme que casos de revisão de dívidas prejudiquem integração sul-americana

03/12/2008 - 18h23

Lucas Rodrigues
Repórter da TV Brasil
Brasília - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, alertou hoje (3) para a “desaceleração” do processo de integração física, caso outros países da América do Sul, a exemplo do Equador, decidam rever os contratos de financiamento de obras de infra-estrutura. Após audiência na Câmara dos Deputados, Amorim afirmou que não há sinais de que outros países tenham decidido rever suas dívidas com o Brasil e reforçou que a política de crédito do governo brasileiro com os vizinhos sul-americanos faz parte da política de integração. Em referência ao governo do Equador, que submeteu à Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional a dívida de US$ 242,9 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a construção da Usina Hidrelétrica de San Francisco, o ministro ressaltou que não houve tentativa de negociação que pudesse evitar o recurso contra o pagamento do empréstimo.“Não houve sequer uma tentativa de negociação. Isso nos limita e, ao nos limitar, vai criar dificuldade para a integração da América do Sul. Não para a integração política, mas vai desacelerar o processo de integração física da América do Sul”, disse Amorim.Segundo ele, o Brasil vai reagir em casos de calote: “Se o país espera ter uma cooperação com o Brasil, e o Brasil, vamos ser francos, é hoje uma das poucas fontes de crédito para alguns dos países da América do Sul, é natural que a gente vá agir. Não é por retaliação. Não há nenhum espírito de retaliação. Mas por prudência”, afirmou. “Como vou, como ministro das Relações Exteriores, favorecer um empréstimo a um país que acabou de dizer que não vai pagar um empréstimo anterior, sem nos ter consultado antes?”, questionou.