Presidente do grupo Tortura Nunca Mais pede reabertura de investigações sobre repressão

20/10/2004 - 14h51

Marcelo Gutierres
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - A presidente do grupo Tortura Nunca Mais, jornalista Rose Nogueira, defendeu a reabertura das investigações sobre a repressão no período da ditadura militar (1964-85). Rose acredita que são verdadeiras as fotos divulgadas domingo pelo jornal Correio Braziliense, que mostrariam o jornalista Wladimir Herzog nu, nas dependências do Departamento de Operações de Informações e Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), na capital paulista. "Fiquei chocada", disse Rose.

Presa política durante o ano de 1969, Rose trabalhava com Herzog na TV Cultura, em São Paulo, quando ele se apresentou para depor no Doi-Codi, em outubro de 1975. "Herzog é um símbolo dos mais de 400 mortos sob tortura no regime militar", ressaltou a jornalista. Como presidente do grupo Tortura Nunca Mais, Rose acredita que existam documentos que ainda não foram apresentados e podem ser importantes para que se possa chegar aos responsáveis e ao esclarecimento dos fatos.

Depois do depoimento, Wladimir Herzog foi preso. No dia 25 de outubro de 1975, estava morto em uma cela do Doi-Codi. De acordo com a versão divulgada à época pelos militares, Herzog teria cometido suicídio. Em 1978, a Justiça responsabilizou a União pela prisão ilegal, tortura e morte do jornalista. Em 1996, a Comissão Especial dos Desaparecidos Políticos reconheceu que Herzog foi assassinado no Doi-Codi de São Paulo e decidiu conceder indenização a sua família.