''Vivemos em uma sociedade fanatizada pelo culto à juventude'', diz Lya Luft

11/05/2003 - 18h40

Brasília, 11/5/2003 (Agência Brasil - ABr) - A bem humoranda mãe Lya Luft fala bem sério quando o assunto é o culto à juventude eterna. Suas obras sempre criticam as mulheres que, ao envelhecerem, começam a achar que o seu tempo já passou. "A gente nasceu pra ser feliz, mas não nos contaram essa história direito. Você pode fazer uma plástica, mas não pode querer iludir o tempo. Aos 80 anos, querer ter cara de 40 não dá", diz.

Para a escritora, a velhice deve ser encarada como uma etapa natural da vida. Não como a perda da juventude, mas como a conquista da maturidade. "Vivemos em uma cultura fanatizada pelo culto à juventude. A velhice (é vista) como perda de tudo. Pra mim velho é depois dos 80, mesmo que para a Organização Mundial da Saúde (OMS) seja depois dos 65, mais ou menos". O preconceito em relação aos velhos está até mesmo no uso da palavra velhice. "Temos medo de usa-la então falamos terceira idade".

Lya Luft, após a perda de seus dois maridos, hoje fala em buscar forças dentro de si. Para ela, vivemos na sociedade da pressa em que "parar pra pensar, nem pensar". Neste ponto, lembra a necessidade de analisarmos a nós mesmos. "A mãe ideal teria que ser três mulheres. A que trabalha, a que cuida da família e a que vai passear na beira do lago para pensar".

Em relação à dor da perda, diz que, na hora de um choque, o ser humano tende a voltar-se para si mesmo e não querer ver ninguém - e é aí que o auto-conhecimento e as bagagens individuais são fundamentais. "No momento de uma grande perda não são os amigos nem a família que nos dão o apoio mais importante. Se lá dentro tem árvores sólidas, a gente tem onde se agarrar para recomeçar".

Ao terminar a conversa, Lya fala em felicidade. "Deveríamos curtir mais a própria vida. Trabalhamos mais horas do que o necessário pra viver dignamente só para adquirir alguma grife, carros caros e coisas de que não precisamos. Gastamos com isso um tempo mais precioso que o dinheiro". Ela sabe o que diz.

IDM