Coordenador do MST defende ''aliança com o Congresso e com o povo brasileiro''

22/06/2005 - 22h35

Brasília, 22/6/2005 (Agência Brasil - ABr) - O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, defendeu hoje, junto com outros representantes de movimentos sociais, que o governo Lula faça alianças com o povo brasileiro para que o projeto do atual governo não se desestabilize. "Viemos trazer o nosso apoio e as nossas preocupações. O governo precisa usar este momento de dificuldade para fazer aliança com o Congresso Nacional e com o povo brasileiro", disse, ao deixar o Palácio do Planalto.

Além de prestar apoio ao presidente Lula, no encontro, os representantes dos movimentos sociais também cobraram mudanças estruturais na política econômica de governo. João Paulo apontou entre estas mudanças o processo de distribuição de renda e avanços na reforma agrária. E disse ter ouvido de Lula a garantia de que todas as denúncias de corrupção serão investigadas: "Ele inclusive repetiu aquela frase: se precisar, vai cortar na própria carne".

O secretário de Comunicação da CUT Nacional, Antonio Carlos Spis, que também participou da reunião, informou que durante a audiência foi firmado um compromisso entre o governo e os movimentos sociais, no sentido de estabelecer um calendário de discussões. A primeira delas deverá ocorrer em um mês, sobre a atual política econômica, disse Spis.

Nesta terça-feira, a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), composta por 42 entidades, divulgou a Carta ao Povo Brasileiro, documento que propõe a mobilização da sociedade "contra a desestabilização política do governo" Lula e contra a corrupção. A Carta foi entregue ao presidente que, segundo Spis, "disse que sabia que podia contar com os amigos e os companheiros, principalmente nas horas difíceis". O documento pede também a investigação a fundo das denúncias de corrupção, que estão sendo analisadas pelo Congresso Nacional, e a punição dos culpados.

Entre as organizações que integram a CMS estão o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE).