Construção da terceira pista no aeroporto de Guarulhos é inviável, diz Jobim

21/01/2008 - 18h42

Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou hoje (21) que está descartada a construção da terceira pista no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Em entrevista coletiva na qual explicou as novas medidas operacionais para o Aeroporto Internacional de Congonhas, na zona sul da capital paulista, Jobim disse que uma nova pista em Guarulhos seria “tecnicamente inviável”, já que os poucos ganhos de eficiência não fariam jus aos custos financeiro e social da obra.

Segundo o ministro, a solução para atender ao aumento do número de usuários do Terminal São Paulo é, a longo prazo, a construção de um novo aeroporto, em local ainda a ser definido. Enquanto o novo aerporto não se torna realidade, a proposta do ministério é realizar obras que aumentem a capacidade operacional de Guarulhos e do Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP).

“A alternativa para Guarulhos, que vamos implementar, é otimizar sua capacidade”, disse o ministro. “Vamos reconfigurar o terminal de passageiros, o pátio de aeronaves, a disposição dos portões de embarque e desembarque e a utilização do terminal de cargas. Faremos saídas rápidas para permitir que os aviões possam deixar a pista tão logo pousem. Isso possibilitará um ganho [redução] no distanciamento entre as aeronaves [que pousam]”, concluiu.

Jobim também explicou que a construção de dois novos terminais de passageiros em Guarulhos ajudaria, entre outras coisas, a resolver o problema de estacionamento de aeronaves, nas palavras do ministro, “o grande gargalo do local”. “O Terminal 3 está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e nós pretendemos lançar o edital ainda neste semestre. A obra demoraria cerca de dois anos. Programaríamos para mais adiante a realização do Terminal 4”.

De acordo com o ministro, com os terminais 3 e 4, seriam criados dois novos pátios de estacionamento para aeronaves de grande porte, o que resultaria no acréscimo de mais 17 posições de estacionamento. Isso permitiria que os 45 pousos e decolagens por hora subissem para 54. Doze das posições de estacionamento ficariam no Terminal 3, cuja construção, segundo o ministro, aumentará a capacidade de movimentação de passageiros de 17 milhões para 29 milhões.

Jobim espera que os pátios e as saídas rápidas estejam prontas até julho deste ano. “Queremos fazer uma negociação para a construção desses pátios com urgência". Ele disse que a construção das saídas rápidas e dos pátios é de baixo custo e pode ser feita rapidamente. "E ainda temos, em fase de conclusão, um pátio em frente ao Terminal 1, que acrescentaria mais 10 posições de estacionamento”, acrescentou.

Para Viracopos, o ministro disse estar prevista a expansão do terminal de passageiros, a construção de uma nova pista e de um novo pátio, conforme já previsto no Plano Diretor elaborado pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). “Ainda discutiremos com o governo de São Paulo a forma de viabilizar o melhor acesso ao aeroporto. O grande problema do aeroporto é o acesso a Campinas à partir de São Paulo”.

O ministro voltou a falar sobre a necessidade da construção de um novo aeroporto para São Paulo, mas disse que o local ainda não está certo, o que ele espera que seja definido até junho de 2009. “A aquisição do terreno e da terraplanagem para o novo aeroporto de São Paulo está orçado em R$ 2 bilhões de reais. Destes, R$ 40 milhões seriam gasto na elaboração do projeto. Evidentemente, essa é uma solução de longo prazo", disse o ministro. O governo também estuda utilizar a Base Aérea de Santos, no Guarujá (SP),  como ponto de suporte para táxis-aéreos e aviões particulares.