Representante da FAO diz que alta de preços dos alimentos no mundo preocupa

11/06/2007 - 20h09

José Carlos Mattedi
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A alta dos preços internacionais de alguns alimentos, como os grãos e produtos derivados de animais, tem preocupado a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Um estudo do órgão, divulgado na semana passada, revela que as importações de alimentos devem crescer 5% neste ano em todo o mundo, chegando aos US$ 400 bilhões.

Segundo o representante da FAO no Brasil, José Tubino, essa “tendência” pode ser explicada pela maior procura por alimentos, particularmente devido ao desenvolvimento econômico da China e da Índia, e pela crescente demanda por biocombustíveis, sobretudo nos Estados Unidos.

“Não chega a ser uma elevação dramática, mas um crescimento devido aos preços deprimidos verificados nos últimos anos”, afirmou Tubino. Sobre os dados no Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento deverá se manifestar amanhã (12).

A alta internacional, de acordo com a FAO, é puxada sobretudo pelos preços de importação de grãos e óleos vegetais, usados na produção de biocombustíveis, em especial o milho. “Isso se verifica devido às medidas do governo norte-americano para aumentar o consumo do etanol. E como os Estados Unidos são os maiores produtores mundiais de milho, há um aumento em cadeia”, explicou Tubino.

Ele acrescentou que o milho é a base da alimentação animal e o preço mais alto eleva os custos da criação e também os valores dos produtos derivados, como laticínios e óleos, além da carne. O estudo da FAO ressalta que em março o preço médio mundial da carne subiu 7,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. Para os laticínios, o aumento foi de 46% desde novembro de 2006.