Especial 3 – Comparação com médias regionais mostra defasagem de índices de produtividade

09/04/2006 - 17h41

Marcela Rebelo
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Uma comparação com as médias regionais de produtividade na agricultura e na pecuária mostra a defasagem de critérios usados para desapropriações. Pelos índices utilizados atualmente, são consideradas produtivas, por exemplo, as propriedades da região Sul do país que tenham uma produção de grãos de milho de 1.900 quilos por hectare. A pesquisa Produção Agrícola Municipal, realizada em 2004 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que os agricultores da região têm uma produção média de 3.954 quilos por hectare de grãos de milho.

Os índices das regiões Norte e Nordeste também mostram a defasagem dos dados. Para ser considerada produtiva, pelos atuais índices, uma propriedade dessas regiões deve ter uma produção de pelo menos 600 quilos por hectare grãos de milho. De acordo com a pesquisa de 2004, os agricultores do Norte produzem, em média, 1.926 quilos por hectare e do Nordeste, 1.093 quilos por hectare.

Com relação à soja, os produtores da Bahia, por exemplo, devem produzir pelo menos 1.200 quilos por hectare de sementes para terem suas propriedades consideradas produtivas. Mas os dados da pesquisa do IBGE mostram que, em 2004, os produtores tiveram um rendimento médio de quilos por hectare de sementes de soja.

Os produtores do Rio Grande do Sul devem produzir, no mínimo, 800 quilos por hectare de grãos de trigo pelos atuais índices. Mas o IBGE mostra que a média de produção dos agricultores do Estado é de 1.832 quilos por hectare. No restante do país, o índice estabelecido é de 1.000 quilos por hectare, sendo que a média de produção na Bahia, por exemplo, é de 5.000 quilos por hectare; no Distrito Federal, de 5.089 quilos por hectare; em Minas Gerais, 4.344 quilos por hectare; e em Goiás, de 4.031 quilos por hectare, segundo dados da pesquisa do IBGE.

Os índices relativos à pecuária também mostram a defasagem dos dados utilizados atualmente. No Centro-Oeste, por exemplo, para que a propriedade seja considerada produtiva é necessário ter, no mínimo, 0,4 cabeça de animal por hectare. Hoje em dia, as propriedades da região têm, em média, 1,8 cabeça de animal por hectare, segundo o ministério.