Famílias sem-teto denunciam uso da violência em Goiânia e acreditam em mais mortes em ação da PM

17/02/2005 - 0h36

Keite Camacho
Enviada especial

Goiânia – No início da noite desta quarta-feira, os sem-teto fizeram manifestação na porta da Assembléia Legislativa de Goiás e também denunciaram que o número de mortes é maior do que apenas as duas pessoas noticiadas pela polícia. O lavador de caminhões Paulo César Ferreira dos Santos, 32 anos, por exemplo, viu amigos sendo baleados e disse ter implorado pela vida. "A polícia entrou massacrando. Vi companheiros sendo baleados", afirmou.

O mesmo disse Sandra Ortega Mello, 31 anos, que há oito meses moradora do Parque. "Eles fizeram um massacre. Tem muita gente morta lá dentro das cisternas. Tem cartucho de fuzil lá. Eles não foram desapropriar. Foram para matar", disse. O tenente-coronel Antonio Elias disse que a denúncia é uma "falácia". O governo do estado prometeu ao ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos uma apuração rigorosa dos responsáveis pelos assassinatos.

A sub-procuradora-geral da República e procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Ella Castillo, está Goiânia para acompanhar as famílias retiradas do Condomínio Sonho Real, no Parque Oeste Industrial. Ella Catilho esteve com os feridos no Hospital de Urgência de Goiânia, que também relataram a existência de um número maior de mortes. Segundo ela, o relato de um dos feridos a bala é de que várias pessoas teriam morrido. "Acontece que a gente tem que dar um desconto. Ele estava assustado. Ficou uma certa dúvida se há mais mortos ou não", disse.

As pessoas feridas foram ouvidas pelo Ministério Público de Goiás e os hospitalizados serão ouvidos quando melhorarem os seus estados de saúde. O Ministério Público Federal vai acompanhar o trabalho do Ministério Público estadual durante as investigações do caso.