Pai e filha

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Infertilidade masculina não é empecilho para quem quer ser pai

Criado em 08/08/14 07h14 e atualizado em 08/08/14 10h57
Por Bruna Ramos Fonte:Portal EBC

Dia dos Pais 1
Infertilidade masculina é tão recorrente quanto a feminina (Ray Dumas/ Creative Commons)

Mesmo que não seja por aviso dos hormônios, homens sentem a hora de se tornar pais. E quando bate a vontade e o consenso com a parceira, dispensam-se os métodos contraceptivos e inicia-se a preparação para a notícia.

Mas nem sempre abrir mão dos cuidados anticoncepcionais resulta em uma gravidez. Segundo o urologista Sidney Glina, um casal deve manter relações sexuais três vezes por semana, durante um ano, quando está tentando engravidar. Após esse período, se não tiver ocorrido a fecundação, é recomendado que a mulher procure um ginecologista e o homem, um urologista. “(No caso do homem) o primeiro passo será requisitar um espermograma para determinar a quantidade e a qualidade dos espermatozoides”, esclarece.

A infertilidade masculina é tão recorrente quanto a feminina: em torno de 30% para cada grupo, sendo os 40% restantes devido a algum motivo em comum do casal ou às chamadas infertilidades sem causa aparente. Entre as condições mais frequentes associadas à infertilidade masculina estão problemas na produção do espermatozoide e problemas no caminho destes espermatozoides até o óvulo. Em ambos os casos, a infertilidade pode ser revertida com tratamento médico adequado.

A baixa produção ou produção inadequada de espermatozoides pode acontecer por alterações hormonais, varicocele (varizes no testículo) e processos inflamatórios. Nestes casos, o tratamento pode ser feito com medicamentos ou cirurgias e dura cerca de 3 a 4 meses, tempo que “o testículo demora para produzir espermatozoides”, explica Glina. Este período é considerado o tempo mínimo de reversão da infertilidade.

Nos casos de irreversibilidade ou falha nos tratamentos mais simples, deve-se recorrer à inseminação artificial, fertilização in vitro, ou injeção intracitoplasmática de esperma (ICSI). Sidney Glina alerta, no entanto, que é preciso interesse, disponibilidade e dinheiro para levar o tratamento adiante, já que o acesso à reprodução assistida no serviço público é restrito. Considerando que estes três fatores coexistam, a paternidade está praticamente garantida. “A reprodução assistida é um tratamento efetivo”, garante o médico.

Pai e filho
Tratamentos de infertilidade masculina saõ efetivos (ff137/ Creative Commons)

Os bons resultados da inseminação e fertilização não contemplam, porém, aqueles que tenham ausência total de espermatozoides. Apesar de ser uma condição rara, pode acontecer. Neste caso, o sonho de ser pai não precisa ficar adormecido. Há, ainda, a possibilidade de utilizar sêmen de um doador ou optar pela adoção [2].

Leia também:

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Licença-paternidade de cinco dias destoa da configuração atual de família [4]

Fertilidade x Idade

Se por um lado o aparelho reprodutivo feminino começa a sofrer alterações a partir dos 35 anos, por outro, a infertilidade masculina tem pouca associação com a evolução da idade. É sabido que a produção de espermatozoides vai diminuindo com o tempo, mas diversos especialistas apontam que até os 70 anos o homem pode ser pai com facilidade, principalmente se sua parceira tiver menos de 35.

Segundo Glina, a idade do homem interfere pouco em sua capacidade de procriar. “O homem mais velho produz mais espermatozoides com alteração genética. Mas o impacto disto é bem menor na prole”, diz, ao comparar com o efeito da idade na fertilidade feminina.

Inseminação pelo SUS

No Sistema Único de Saúde, para ser diagnosticado como infértil, o casal precisa ter tido relação sexual sem utilização de método contraceptivo durante o período de um a dois anos sem que tenha resultado em gravidez. Neste caso, eles devem passar por consulta na atenção básica e realizar os exames necessários.

De acordo com o Ministério da Saúde, atualmente, nove unidades hospitalares no Brasil oferecem tratamentos para infertilidade pelo SUS. Como a organização de cada serviço é definida pelo gestor local, o tempo médio de espera e o número de tentativas autorizadas para cada casal dependem de cada serviço.

Confira a relação dos hospitais:

- Centro de Reprodução Assistida do Hospital Regional da Asa Sul (HRAS), em Brasília;
- Centro de Referência em Saúde da Mulher – Hospital Pérola Byington, em São Paulo;
- Hospital das Clínicas de São Paulo;
- Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP);
- Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte (MG);
- Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre (RS);
- Hospital das Clínicas de Porto Alegre (RS);
- Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira – IMIP, em Recife (PE)
- Maternidade Escola Januário Cicco, em Natal (RN).

Creative Commons - CC BY 3.0

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