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Comércio informal lota ruas de Paraty por conta da Flip

01/08/14 09h47
Flávia Villella
A cordelista Marialva Bezerra, a Querindina, veio da cidade de Esperança, na Paraíba, para a 12ª edição da Flip (Fernando Frazão/Agência Brasil) (Fernando Frazão / Agência Brasil)

Se dentro das tendas da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) as atenções estão voltadas para os autores no palco, do lado de fora, fica difícil deter o olhar com tantas atrações nas ruas do centro da cidade. A variedade impressiona: artistas itinerantes, cordelistas, tarólogos, artesãos, quituteiras, músicos e artistas de rua, pintores e índios de diferentes partes do Brasil mostram suas habilidades.  As noites frias de Paraty não desanimam os visitantes que permanecem nas ruas, nos bares e restaurantes após as programações da Flip. E é nessa hora que o comércio informal  ocupa as estreitas calçadas de pedras coloniais.

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O integrante da etnia Xucuru Kariri, de Palmeira dos Índios em Alagoas, Sarapó Wakanan veio à Paraty pela primeira vez para expor o artesanato feito em sua aldeia.  “Esta venda é uma forma de divulgarmos nossa cultura, reafirmarmos nossa existência e também uma forma de sobrevivência da aldeia”, contou.

Ele contou que  várias pessoas o abordaram para perguntar se era índio de verdade. “Porque eu estava vestido. Já se passaram 500 anos e não ficamos mais pelados. Não deixaremos de ser índio por causa disso, pois índio não está na roupa, está no conhecimento, na vivência e nos costumes”, contou ele.

O artista pernambucano de cordel Edmilson Santini usa do repente para atrair seu público. Você sabe o que é rima? Rima é como estou contando, um versinho embaixo, outro em cima e a gente vai arranjando. Nisso já tem poesia, poesia que daria boa rima com beleza, daí se forma um poema que desenvolve o tema e agora por gentileza vejam este pequeno folheto em minha mão, é folheto de cordel escrito em bom papel, na capa ilustração, canta.  Autor de mais de 70 obras, ele costuma vir a Paraty durante a Flip. Segundo ele a feira é uma vitrine para o seu trabalho. Com sua lábia e rima, fica difícil não comprar pelo menos um cordel que é vendido a R$4. “Mas se quiser, faço três por R$10, aí funciona a matemática”, explicou o artista.

O artesão Marcos dos Santos, conta que as vendas são intensas até a madrugada. “A cidade não pára. Durmo tarde e acordo cedo para aproveitar ao máximo. Descansar, só quando acabar a Flip”, contou ele que faz brincos e colares artesanais.

Editora: Valéria Aguiar

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