Intervenções urbanas para a Copa vão deixar diferentes legados em Salvador e São Paulo

13/09/2012 - 19h17

Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, São Paulo e Salvador têm expectativas distintas quanto aos legados que o evento deixará. Enquanto Salvador vê na Copa uma oportunidade para modernizar seu velho centro, estimulando ainda mais o turismo, São Paulo quer aumentar a capacidade do sistema de transporte para promover sua utilização pelos proprietários de automóveis, mudando a cultura local.

Essas foram algumas das vantagens apresentadas por representantes das duas prefeituras e governos estaduais, hoje (13), durante o  seminário Copa 2014: Oportunidades para a Sustentabilidade Urbana – evento promovido pelo Ministério do Esporte em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), onde foram apresentados estudos de caso de sustentabilidade a partir das intervenções urbanas.

“Quando o planejamento para a Copa foi feito, optamos por dar prioridade à infraestrutura já instalada, até porque já existe estrutura para a ida ao estádio. Nossos planos de investimentos não foram para aumentar essa infraestrutura, mas para aumentar a capacidade dessas linhas [de transporte]”, disse o representante do governo do estado de São Paulo, Daniel Glaessel Ramalho.

“A cereja do nosso bolo será a conscientização da população de que é muito melhor se locomover por meio desse tipo de transporte. Não adianta investimentos e não adianta fazermos nada, se não promovermos, antes, uma mudança cultural, de forma a, ao experimentar o transporte público, a população veja o ganho de tempo que ele proporciona, se comparado ao carro. Dessa forma, a opção passará a ser natural”, acrescentou.

Para se conseguir fazer isso, haverá diminuição do intervalo entre veículos coletivos, controle automatizado de tráfego e, principalmente, investimento em sinalização. Atualmente, 45% dos deslocamentos em São Paulo são feitos por meio de veículos individuais. A meta dos governos estadual e municipal é que, na Copa, esse percentual caia para 40%, e, até 2020, para 30%.

Em Salvador, os benefícios serão mais estéticos. “Como o estádio fica em uma área próxima ao centro da cidade e ao Centro Histórico, estamos aproveitando a oportunidade para revitalizá-los, de forma a estimular o turismo”, disse a coordenadora de Infraestrutura da Secretaria Estadual para Assuntos da Copa do Mundo, Adriana Diniz, representante do governo baiano.

“A estimativa de fluxo de turistas [em decorrência da Copa] não nos assusta porque a Bahia já recebe mais de 2 milhões de turistas por ano, número bem superior ao esperado para o evento”, acrescentou o superintendente da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), Antônio Brito.

Para embelezar ainda mais a cidade, está prevista a derrubada de alguns armazéns do Porto de Salvador. “Nossa cidade tem sol nascente e poente no mar. Esses armazéns serviam de barreira visual para a Baía de Todos os Santos de quem está no bairro do Comércio [um dos principais pontos turísticos, onde está localizado o Mercado Modelo]”, explicou o presidente da Fundação Mário Leal Ferreira, Luiz Cézar Baqueiro.

“O novo porto [com terminal de passageiros para navios de turismo] é um sonho antigo que resgatará [na região] a relação com o mar. Com a derrubada dos armazéns, vamos proporcionar a integração da paisagem com a Baía de Todos os Santos, já que a cidade, com o passar do tempo, foi dando as costas a ela, o que muito degradou sua imagem”, disse Baqueiro.

Edição: Davi Oliveira