Defensores dos direitos humanos buscam integração internacional

12/11/2008 - 21h47

Vinicius Konchinski
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Cinqüenta e cinco defensores dos direitos humanos na África, Ásia e América do Sul estão reunidos em São Paulopara trocar informações e integrar suas atividades. Até sábado (15), eles participam do 8º Colóquio Internacional de Direitos Humanos, promovidoanualmente pela organização não-governamental (ONG) Conectas, que tem comoobjetivo principal a criação de uma rede de contatos entre os ativistas.“Cada país tem um problema e um bom exemplo de como lidar com ele. Porisso, é importante trocarmos informações”, disse hoje (12) OscarVilhena Vieira, diretor jurídico da Conectas, à AgênciaBrasil. Segundo a entidade, cerca de 600 ativistas que já estiveramem colóquios anteriores estão hoje em contato permanente via e-mails, trocandoexperiências e denunciando desrespeitos à Declaração Internacional dos DireitosHumanos, que completa 60 anos no mês que vem. Por esse canal, eles organizam mobilizações e combinam estratégias para impedirque as violações persistam.De acordo com Vieira, o Brasil tem algumas iniciativasexemplares de mobilização em favor dos direitos humanos e elas  ajudaram que o paísavançasse no assunto. Ele disse que, devido a pressões da sociedade, asmulheres brasileiras encontram-se hoje em situação muito melhor do que a de 60 anosatrás e a discriminação racial passou a ser tratada como um problema. “Hoje, encaramos a discriminação de frente e não fingimos mais que oBrasil é um país maravilhoso, sem preconceitos.”Vieira acrescentou, entretanto, que há muito que avançar nopaís. Segundo ele, o Brasil tem uma das sociedades mais desiguais do mundo, e“isso não é mero acidente ou azar”. “A sociedade brasileira não tomou atitudespara que os recursos, a tecnologia e o conhecimento fossem distribuídos deforma mais igualitária.”Ele disse ainda que a desigualdade é fator matricial ecausador de outra violação comum aos direitos humanos no Brasil: a violênciainstitucional. “Como se mantém uma sociedade desigual estável? Ou pelareligião, como é o caso da Índia, ou pela repressão, como no caso do Brasil”,afirmou Vieira, citando abusos de policiais.