Presidente Rafael Correa decide expulsar a Odebrecht do Equador

09/10/2008 - 0h02

Da Agência Brasil

Brasília - A construtorabrasileira Odebrecht vai ter que deixar o Equador. O governoequatoriano rejeitou o acordo com a empreiteira e decidiu expulsá-lado país, informa a BBC Brasil."O presidente[Rafael Correa] tem cedido muito, mas definitivamente [a Odebrecht]não pode estar no país. Analisamos tudo e acreditamosque não é possível continuar com ela",afirmou hoje (8) o ministro de Setores Estratégicos, Galo Borja, logodepois de uma reunião com o presidente Rafael Correa. De acordo com Borja, ogoverno também considerou outras falhas que a empresa teriacometido em projetos que ainda estão em andamento. O governoequatoriano reclama que a Odebrecht teria recebido verba antecipadapara a obra da usina hidrelétrica Teoachi-Pilaton e atéagora não fez nada. Com a decisão,todos os contratos da construtora, que totalizam US$ 650 milhões,estão encerrados. Procurada pela BBCBrasil, a assessoria de imprensa da empreiteira afirmou que a empresanão foi comunicada oficialmente, mas que "estádisposta a acatar qualquer decisão do governo equatoriano".Na semana passada, aconstrutora havia oferecido uma garantia de US$ 43 milhões quepoderia ser transferida para o Estado para o pagamento de umaeventual multa, caso uma auditoria internacional responsabilizasse aconstrutora pelas falhas encontradas na usina hidrelétrica SanFrancisco. A empresa tambémhavia oferecido estender a garantia das obras por mais um ano e arcarcom os custos de reparação das falhas da usina. O impasse entre ogoverno equatoriano e a construtora começou no dia 23 desetembro, quando Correa assinou um decreto ordenando o embargo dosbens da Odebrecht, a militarização de todas as obras emandamento e proibição de que funcionários daempresa deixassem o país. Com uma potênciaprevista de 230 megawatts e com capacidade para abastecer 12% daenergia do país, a central San Francisco foi construídapelo Consórcio Odebrecht - Alstom - Vatech (empresaseuropéias) e inaugurada em junho de 2007. A partir de junho de2008, a San Francisco começou a apresentar falhas e logodepois foi fechada, o que, de acordo com o governo equatoriano,coloca em risco o abastecimento do país e poderia ocasionarapagões de energia.