Relatório da CPI dos Correios pede indiciamento de Daniel Dantas e Carla Cicco

13/04/2006 - 18h01

Luciana Vasconcelos
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios com as alterações feitas pelo relator, deputado Osmar Serraglio, pode ser acessado pela internet, no endereço do Senado (www.senado.gov.br). O documento é dividido em três volumes e tem quase duas mil páginas.

Entre as mudanças, estão o pedido de indiciamento do empresário Daniel Dantas, do Banco Opportunity, e da ex-presidente da Brasil Telecom, Carla Cicco, por tráfico de influência, sonegação fiscal e corrupção ativa. "Aceitei as críticas de que a referência à Brasil Telecom estava incompleta e acolhi esta parte do relatório do PT", afirmou Serraglio.

Em abril, o Grupo Opportunity foi afastado do controle das empresas de telefonia Brasil Telecom, Amazônia Celular e Telemig Celular. O banco de Dantas exercia o controle das três empresas por meio do fundo de pensão CCV/Opportunity. A decisão que destituiu o banqueiro foi tomada a pedido de um dos sócios da empresas, o banco norte-americano Citigroup, e também aprovada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Os valores transferidos pela empresa de telefonia à SMP&B, empresa do publicitário de Marcos Valério de Souza, somou R$ 3,93 milhões, enquanto que à DNA Propaganda, também de Marcos Valério, o repasse foi de R$ 823 mil. Segundo o texto incorporado ao relatório da CPMI, as investigações mostraram a existência de dois contratos de publicidade da Brasil Telecom com as empresas, no valor de R$ 25 milhões cada, assinados em maio de 2005.

Nas alterações, Serraglio disse que também pediu o aprofundamento das investigações, pelo Ministério Público, de uma possível participação da Usiminas no abastecimento de recursos do chamado "Valerioduto", esquema operado por Marcos Valério para transferir recursos a partidos políticos e parlamentares. O relator também retirou o pedido de indiciamento de algumas pessoas, como o vice-governador de Minas Gerais, Clésio Andrade.