Delegado da PF quer esclarecer ''cadeia de comando'' com depoimento de Palocci

31/03/2006 - 21h44

Brasília, 31/3/2006 (Agência Brasil - ABr) - Com o depoimento do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, previsto para a próxima quarta-feira (5/4), o delegado da Polícia Federal responsável pelo caso, Rodrigo Carneiro Gomes, pretende esclarecer as duas pontas do que chama de "cadeia de comando": quem deu a ordem para a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa e quem passou a informação para a imprensa, que divulgou o extrato da conta.

Palocci deveria ter prestado depoimento na manhã de hoje (31), mas não compareceu. À tarde, três policiais levaram a segunda intimação à residência dele e receberam um atestado médico que aponta duas doenças, não reveladas pela assessoria da Polícia Federal. O atestado tem validade de quatro dias e somente na terça-feira (4/4) o ex-ministro poderá ser novamente intimado a depor.

Antonio Palocci e o ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, pediram demissão na última segunda-feira (27), após o depoimento de Mattoso à Polícia Federal. Ele confessou que mandou quebrar o sigilo bancário do caseiro e que entregou o extrato ao então ministro da Fazenda. No mesmo dia, foi indiciado pelo crime de quebra do sigilo funcional e pode pegar até seis anos de prisão.

A polícia tentou intimar Mattoso para novo depoimento, mas ele não foi encontrado em Brasília. A PF em outros estados poderá ser acionada para tentar encontrá-lo. Por lei, uma pessoa tem direito a faltar três vezes a uma intimação. Depois disso, ela vai de forma coercitiva, ou seja, é obrigada a depor e levada por policiais para prestar o depoimento.