Pesquisadores estudam redução de emissões com adição de minerais em fertilizantes

25/09/2005 - 10h05

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio - Pesquisadores brasileiros estão estudando a possibilidade de reduzir as emissões de gases poluentes na atmosfera, causadores do chamado efeito estufa no planeta, a partir da adição de minerais em fertilizantes. O trabalho está sendo realizado por técnicos do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), do Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com a Embrapa Solos e o Instituto de Física das Universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

A idéia é utilizar o mineral zeolita como aditivo aos fertilizantes nitrogenados, ou seja, em que há nitrogênio (como a uréia), para reduzir as emissões.

O projeto conta com apoio da Petrobras, por meio da indústria de fertilizantes Fafen, da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), da Secretaria estadual de Ciência e Tecnologia, no montante de R$ 200 mil, dos quais R$ 100 mil já foram liberados.

A pesquisadora do Cetem Marisa Monte informou à Agência Brasil que na agricultura intensiva o uso de fertilizantes solúveis é muito grande. A estes se adiciona a uréia, que se transforma em amônia e vai para a atmosfera. Segundo ela, estudos mostram que essa substância "é um dos causadores de contaminação, ou seja, de poluição relacionada com o buraco de ozônio".

A especialista explicou que "do mesmo modo que a zeolita encapsula (encerra) nitrogênio e libera de forma lenta, ela também tem a possibilidade de armazenar amônia, minimizando esse efeito de evaporação.Isso acontece na agricultura também". Acrescentou que antes que os microrganismos transformem a uréia em amônia, a planta consegue absorver o nitrogênio. "O que acontece é que a zeolita absorve a amônia, vai liberando lentamente e minimiza o efeito", informou.

A idéia do projeto é estudar, por meio de técnica fotoacústica, quanto de amônia existe na atmosfera e se há menor volatilização (redução a gás ou vapor) quando na presença desse substrato. Marisa Monte avaliou que uma vez comprovado cientificamente, o estudo será muito importante para essa vaporização. O objetivo é comprovar a ação da zeolita para reduzir a poluição no ar, provocada pelos fertilizantes solúveis.

Numa primeira etapa, serão realizados testes desse composto mineral com flores, dentro do projeto Florescer, do governo fluminense, que é uma cultura que apresenta maior valor agregado, disse Monte. Admitiu que "no futuro, se realmente se comprovar que ele minimiza a volatilização, a possibilidade da Fafen comercializar esse substrato com a uréia é muito grande".

A idéia é, numa segunda etapa, formar um novo produto que possa ser vendido em grande escala. A pré-viabilidade ainda não começou porque antes é necessária a comprovação cientifica do projeto, esclareceu Monte. "O estudo, destacou, centraliza a questão da minimização da volatilização". A expectativa é que o projeto seja concluído no prazo de dois anos.