Emprego 2: Crescimento de empregos formais surpreende na agricultura

22/07/2004 - 21h38

Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasi
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São Paulo - Impulsionados pelas exportações, a indústria e a agricultura foram os setores que mais expandiram suas bases de trabalhadores com carteira assinada de janeiro a maio deste ano. Juntos, os segmentos foram responsáveis por 58% das 827 mil contratações registradas pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. A agricultura, que normalmente responde por apenas 4% do estoque de empregos formais do país, ofereceu 17% das vagas.

A análise dos dados do Caged foi feita pela Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo. Em números, a Indústria, que responde por 23% do total de empregos formais do país, foi responsável por 41% (347 mil) das novas vagas. Já o setor agrícola, que tradicionalmente é informal respondeu por (144 mil) dos postos de trabalho criados de janeiro a maio em todo o Brasil, com registro.

O setor de serviços abriu mais vagas que o agrícola mas, proporcionalmente ao peso que tem no estoque de empregos do país, foi o segmento que menos expandiu seu quadro de funcionários fixos. Responsáveis pelo grande volume de empregos formais do país (55%), os serviços responderam por 30% (254 mil) das novas contratações. Já o Comércio, que tem participação de 17% no estoque de emprego formal, ficou com 12,4% (105 mil) das novas vagas.

"Tudo indica que a dinâmica do emprego vem sendo condicionada pelas exportações", avalia o assessor econômico da Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo, Alexandre de Freitas Barbosa. Outro aspecto interessante, enfatizado pelo economista, é o crescimento significativo do emprego formal fora das regiões metropolitanas. O interior, que normalmente responde por 60% do estoque de contratações com registro do país, gerou 72% das vagas abertas de janeiro a maio deste ano.

"O interior está gerando empregos a um ritmo duas vezes maior do que as regiões metropolitanas", explica Barbosa. Isto reflete, segundo ele, a "reespacialização" do emprego, já que várias empresas saíram das regiões metropolitanas por questões como custo da mão-de-obra. Setores mais intensivos em capital, no entanto, continuaram concentrando-se nos centros metropolitanos.

"Um bom indício de que a recuperação do emprego está se sustentando é verificar que o ritmo de crescimento do emprego, tanto no interior como nas regiões metropolitanas, está seguindo a mesma tendência." Na avaliação do economista, o índice divulgado hoje pelo IBGE, de crescimento de 3,2% do emprego formal em seis regiões metropolitanas do país é "um bom indício de que a recuperação do emprego está se sustentando".