BNDES poderá financiar obras de infra-estrutura na América do Sul

28/06/2003 - 0h00

Medelín (Colômbia), 27/6/2003 (Agência Brasil - ABr) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acenou hoje com a possibilidade de financiamento de obras na área de infra-estrutura, com recursos do BNDES, nos eixos de desenvolvimento da América do Sul. Durante discurso na XIV Reuinão de Cúpula do Conselho Presidencial Andino, Lula anunciou uma reunião, na próxima semana, em Caracas, para dar prosseguimento aos projetos ao longo dos eixos.

O presidente também convidou os paises andinos a apresentarem seus projetos no seminário que será realizado em agosto, na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, em parceria com a Corporação Andina de Fomento. Lula não citou cifras, mas foi enfático ao falar do seu empenho pela execução de projetos nas áreas de transportes, comunicação e energia.

"Temos trabalhado no âmbito da Iniciativa para Integração da Infra-estrutura Regional Sul-Americana para promover a interconexão desses setores", disse.

O presidente confimou a decisão da Cúpula do Mercosul, realizada em Assunção, de implantar a zona de livre comércio entre o Mercosul e a Comunidade Andina até o final de 2003. Mas ele enfatizou que a integração não pode se limitar ao comércio e suas questões tarifárias, mas deve englobar politicas que promovam a integração produtiva.

Sugeriu um amplo pacto que busque soluções para as questões mais problemáticas da região e voltou a levantar a bandeira do combate à fome. "O Governo brasileiro não quer que a integração sul-americana seja apenas o objeto de um discurso retórico. O objetivo deste movimento político de amplo alcance é o bem-estar dos nossos povos", disse.

O presidente também falou sobre a ALCA, cujas negociações são presididas conjuntamente pelo Brasil e os Estados Unidos. Afirmou que já manifestou por diversas vezes aos norte-americanos o interesse brasileiro de que as negociações para a criação da ALCA, a serem concluídas em 2005, sejam bem sucedidas. Mas reiterou que, para isso, é fundamental que os Estados Unidos estejam dispostos a abrir seu mercado para os produtos dos países em desenvolvimento, especialmente os do setores agrícola, têxtil e do aço. "De pouco adianta termos oitenta ou mesmo noventa por cento de itens liberalizados se nos vinte ou dez por cento que ficaram de fora - definitivamente ou por prazo indeterminado - estiverem aqueles em que justamente se concentra o nosso maior interesse", questionou. (Edla Lula)