Minas antipessoais estocadas pelo Iraque violam direitos humanos

03/04/2003 - 23h40

Brasília, 3/4/2003 (Agência Brasil - ABr/CNN) - As forças iraquianas estocaram cerca de 150 minas antipessoais no interior e no quintal da mesquita de Kadir Karam, que foi abandonada em 27 de março, informou a organização Human Rights Watch nesta quinta-feira. Segundo o grupo, as minas encontradas na mesquita localizada no norte do Iraque já foram desativadas, mas representariam uma violação dos direitos humanos.

"Minas antipessoais deveriam ser vistas como armas totalmente repugnantes, cujo uso fosse inaceitável, como as armas de destruição em massa", afirmou Steve Goose, diretor-executivo da divisão de armas da Human Rights Watch. "O uso pelo Iraque dessas armas insidiosas tem que ser condenado", acrescentou. "A longo prazo, elas causarão mais dor e sofrimento aos civis iraquianos do que aos soldados inimigos".

O grupo argumenta que "o uso por qualquer exército de minas antipessoais é proibido pelo direito humanitário internacional porque essas não discriminam seus alvos. O direito humanitário internacional também proíbe o uso militar de lugares de culto". O Mines Advisory Group, uma organização britânica que limpa terrenos minados, foi à mesquita iraquiana na quarta-feira e "desativou mais de 150 minas", relatou a Human Rights Watch.

As forças iraquianas começaram a plantar minas antes do início da guerra e continuam a espalhá-las por várias áreas, declarou a Human Rights Watch, com base em informações fornecidas por organizações dedicadas à retirada de minas e em informações da imprensa. O Iraque é um país intensamente minado. Tais artefatos "foram amplamente usados na Guerra do Golfo, de 1991, pelos iraquianos, pelos norte-americanos e outras forças da coalizão; na Guerra Irã-Iraque (1980 a 1988) e durante as décadas de conflito interno", observou o grupo.

Na quarta-feira, o cinegrafista da BBC Kaveh Golestan morreu no norte do Iraque ao pisar em uma mina quando saía de seu carro, informou o canal de televisão. Golestan, de 52 anos, era iraniano e integrava uma equipe de quatro pessoas trabalhando na cidade de Kifri. As informações são da CNN. (Marcos Chagas)