Moradores de comunidade da Ilha do Governador fazem manifestação contra leilão de aeroportos

19/10/2013 - 0h19

Akemi Nitahara
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Um ato contra a concessão dos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Confins, em Belo Horizonte, marcada para 22 de novembro, e o leilão do Campo de Libra, na Bacia de Campos, previsto para segunda-feira (21), na capital fluminense, ocorreu hoje (18) na pista de acesso ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão - Antonio Carlos Jobim, na Ilha do Governador, na zona norte da cidade.

Um grupo de pessoas formada por sindicalistas, representantes de movimentos sociais e moradores do bairro ocupou uma das faixas da pista e seguiu em passeata até o Terminal 2 do aeroporto. A manifestação durou cerca de uma hora e meia e terminou pacificamente com a distribuição de panfletos aos passageiros.

O presidente da Associação de Pescadores Livres de Tubiacanga (Apelt), Alex Sandro, disse que sua comunidade, Tubiacanga, é a mais ameaçada de ser removida em função das obras de ampliação do Galeão. Segundo ele, existe um projeto alternativo de construção da terceira pista sem a necessidade de remoção de comunidades nem de aterros na Baía de Guanabara. Além de Tubiacanga, estão ameaçadas as comunidades de Parque Royal, Vila Juaniza e Portuguesa, na Ilha do Governador.

Membro do Comitê Popular Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro, Renato Cosentino lembra que, desde 2009, já foram removidas 65 mil pessoas na cidade, muitas vezes sem necessidade, por causa das obras preparatórias para os grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. “A gente estima que 250 mil pessoas estejam passando por esse processo em todo o Brasil. Mas a gente vê que em muitos lugares essa remoção é completamente desnecessária”, disse

A Secretaria de Aviação Civil informou, por meio de nota, que foi retirada da versão final do edital de concessão do Galeão a exigência de construção da terceira pista até 2021, obra que fica condicionada ao aumento do movimento no aeroporto. “Se não houver aumento, não haverá construção, logo, não haverá qualquer impacto sobre a comunidade de Tubiacanga. Se, porém, dentro do período de 25 anos de concessão, o movimento do aeroporto aumentar, a concessionária terá que construir a terceira pista. Antes de fazê-lo, a concessionária deverá estudar soluções de engenharia tais que não exijam a remoção da comunidade de Tubiacanga”, diz a nota.

 

Edição: Aécio Amado

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil. É necessário apenas dar crédito à Agência Brasil