Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/agenciabrasil/taxonomy/term/162492/all pt-br Governo e sociedade civil divididos em debate na Câmara sobre energia nuclear http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/agenciabrasil/noticia/2013-05-22/governo-e-sociedade-civil-divididos-em-debate-na-camara-sobre-energia-nuclear <p>Carolina Gon&ccedil;alves<br /> <em>Rep&oacute;rter da Ag&ecirc;ncia Brasil</em></p> <p>Bras&iacute;lia &ndash; A retomada do programa nuclear brasileiro colocou estudiosos sobre o tema e o governo em lados opostos da mesa, durante debate organizado hoje (22) pela Comiss&atilde;o de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent&aacute;vel da C&acirc;mara dos Deputados. Professores e ambientalistas defenderam que a energia nuclear n&atilde;o pode ser uma alternativa para suprir o aumento da demanda por energia e para reduzir emiss&otilde;es de gases de efeito estufa, substituindo fontes f&oacute;sseis como o carv&atilde;o mineral.</p> <p>&ldquo;N&atilde;o h&aacute; raz&otilde;es para o Brasil investir em nucleares. O pa&iacute;s tem recursos naturais diversos, &eacute; um pa&iacute;s ensolarado, tem muita &aacute;gua e &aacute;reas agr&iacute;colas para produ&ccedil;&atilde;o de biomassa. Podemos usar isso para o desenvolvimento. A insist&ecirc;ncia em manter a energia nuclear tem surpreendido&rdquo;, disse o f&iacute;sico Heitor Scalambrini, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e representante da Articula&ccedil;&atilde;o Antinuclear Brasileira.</p> <p>Para o professor, o desastre nuclear que ocorreu no Jap&atilde;o h&aacute; dois anos foi um aviso para o mundo. &ldquo;Hoje, pesquisas mostram que, em m&eacute;dia, 69% dos entrevistados no mundo rejeitam essa fonte de energia. No Brasil, mais de 75%&rdquo;, disse Scalambrini. Segundo ele, todas as fontes de energia podem apresentar problemas e riscos, como o de inc&ecirc;ndio em termoel&eacute;trica ou de ruptura em barragens. &ldquo;No caso da nuclear, os riscos tamb&eacute;m existem, mas quando ocorrem s&atilde;o devastadores. O caminho &eacute; n&atilde;o instalar essas usinas&rdquo;, defendeu.</p> <p>O Jap&atilde;o foi o cen&aacute;rio do &uacute;ltimo desastre envolvendo problemas com usinas nucleares. Em marco de 2011, um terremoto seguido e um <em>tsunami</em> que afetaram a regi&atilde;o Nordeste do pa&iacute;s provocaram explos&otilde;es e vazamentos na Usina de Fukushima. <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-22/agencia-ve-riscos-de-novos-acidentes-na-usina-de-fukushima" target="_blank">A Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica ainda teme por riscos de acidente no local</a>.</p> <p>Os representantes de grupos cr&iacute;ticos &agrave; energia nuclear lembraram que v&aacute;rios governos est&atilde;o anunciando a elimina&ccedil;&atilde;o ou redu&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o de fontes nucleares em suas matrizes energ&eacute;ticas.</p> <p>O governo da Alemanha anunciou que, at&eacute; 2020, n&atilde;o vai mais recorrer a essas fontes. A participa&ccedil;&atilde;o de energias renov&aacute;veis na matriz energ&eacute;tica alem&atilde; tem sido crescente. No primeiro semestre do ano passado, mais de 25% da demanda por energia foram atendidos por fontes e&oacute;licas e fotovoltaicas. No Jap&atilde;o, o governo anunciou que o fim das usinas nucleares ocorrer&aacute; at&eacute; 2030 e a Fran&ccedil;a definiu a redu&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o da nuclear que hoje representa 75% da matriz, para 50%.</p> <p>Altino Ventura Filho, secret&aacute;rio de Planejamento e Desenvolvimento Energ&eacute;tico do Minist&eacute;rio de Minas e Energia, disse que o governo &ldquo;trabalha com fatos&rdquo; e n&atilde;o se op&otilde;e a qualquer tipo de fonte de energia. &ldquo;A an&aacute;lise &eacute; que a op&ccedil;&atilde;o nuclear continua sendo desenvolvida no mundo&rdquo;, disse ele, ao citar investimentos nesse tipo de energia na China, na &Iacute;ndia e nos Estados Unidos.</p> <p>O governo chin&ecirc;s, informou, est&aacute; construindo 28 usinas nucleares, que devem entrar em opera&ccedil;&atilde;o nos pr&oacute;ximos cinco anos, e mais 40 usinas est&atilde;o projetadas para os pr&oacute;ximos dez anos. Na &Iacute;ndia, sete unidades nucleares est&atilde;o sendo constru&iacute;das, no Reino Unido existe um projeto em andamento e nos Estados Unidos est&atilde;o sendo conclu&iacute;das as constru&ccedil;&otilde;es de tr&ecirc;s usinas.&nbsp;</p> <p>Mesmo criticado por basear seus argumentos em pol&iacute;ticas de pa&iacute;ses que n&atilde;o t&ecirc;m cumprido recomenda&ccedil;&otilde;es mundiais em prol do meio ambiente e da sustentabilidade, Ventura Filho alertou que o Brasil precisa atender a uma demanda crescente por energia. A meta do governo &eacute; produzir 7 mil quilowatts-hora por habitante.</p> <p>Isso significa dobrar a produ&ccedil;&atilde;o nos pr&oacute;ximos anos e aumentar os investimentos sobre o potencial hidroel&eacute;trico do pa&iacute;s, que tem a maior participa&ccedil;&atilde;o na matriz energ&eacute;tica brasileira. &ldquo;Mas essa principal fonte de nossa matriz se esgota em 2030. &Eacute; ilus&atilde;o pensar que apenas fontes renov&aacute;veis v&atilde;o resolver. O governo est&aacute; investindo nessas fontes, mas precisamos de uma fonte de base para levar &agrave; frente a expans&atilde;o&rdquo;, explicou.</p> <p>Segundo Ventura Filho, apesar de o Jap&atilde;o ter anunciado a inten&ccedil;&atilde;o de eliminar as fontes nucleares, o governo japon&ecirc;s declarou que n&atilde;o est&aacute; encontrando alternativa que n&atilde;o seja retomar as atividades das usinas. &ldquo;Quatro usinas j&aacute; foram reativadas e o pa&iacute;s est&aacute; enfrentando um racionamento fort&iacute;ssimo&rdquo;, disse ele.</p> <p>Segundo o governo, a Usina Nuclear Angra 3, que come&ccedil;ou a ser constru&iacute;da em 2010, ter&aacute; pot&ecirc;ncia de 1.405 megawatts (MW) e deve entrar em opera&ccedil;&atilde;o em 2016. A constru&ccedil;&atilde;o da nova unidade da Central Nuclear Almirante &Aacute;lvaro Alberto, em Angra dos Reis, no litoral sul do estado do Rio de Janeiro, est&aacute; estimada em R$ 10 bilh&otilde;es.</p> <p>Al&eacute;m desse projeto, o Plano Nacional de Energia (PNE), que indica a necessidade de expans&atilde;o da gera&ccedil;&atilde;o de energia e as estrat&eacute;gias para os per&iacute;odos at&eacute; 2030, prev&ecirc; a constru&ccedil;&atilde;o de mais quatro usinas nucleares de 1 mil MW cada.&nbsp;</p> <p><em>Edi&ccedil;&atilde;o: Davi Oliveira</em></p> <p><em>Todo o conte&uacute;do deste site est&aacute; publicado sob a Licen&ccedil;a Creative Commons Atribui&ccedil;&atilde;o 3.0 Brasil. Para reproduzir as mat&eacute;rias &eacute; necess&aacute;rio apenas dar cr&eacute;dito &agrave; Ag&ecirc;ncia Brasil</em></p> Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável debate sobre energia nuclear investimentos em energia nuclear ministério de minas e energia Política posição da sociedade civil posição do governo riscos da energia nuclear UFPE Wed, 22 May 2013 19:15:12 +0000 davi.oliveira 721301 at http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/agenciabrasil