Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil
Brasília (Brasil) - A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), disse hoje (18) que não aceita dividir com a oposição o comando da comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) que vai investigar irregularidades no uso do cartão corporativo por servidores e autoridades públicas. “Eu, particularmente, acho que deveríamos fazer uma CPI dentro das regras, ou seja, os maiores partidos indicam [presidente e relator]”, afirmou a senadora, que ainda não conversou sobre o assunto com os demais líderes da base aliada.Ideli Salvatti lembrou que, quando o PSDB e o DEM governaram o país (1995-2002), não dividiram o comando de qualquer comissão parlamentar de inquérito com a oposição. “Esse comportamento eles não tiveram conosco quando governaram. Isso vai depender um pouco da posição de todos os líderes.”A senadora teme que a criação de uma CPI exclusiva no Senado para investigar os cartões corporativos, alternativa levantada pelas líderes oposicionistas, se ficarem sem a relatoria ou a presidência da CPMI, complique a agenda legislativa deste ano. É que, segundo ela, “a tarefa de delegacia de polícia do Congresso Nacional” se sobrepõe à tarefa legislativa.A líder do PT criticou o que chamou de “idas e vindas” da oposição e lembrou que a proposta de uma CPMI foi imposição do DEM e do PSDB. Agora, disse ela, a ameaça de boicotar a CPMI “acaba, do meu ponto de vista, desmascarando o real objetivo deles, que não é investigar, aprimorar. É apenas fazer o tradicional palanque que nós já vivenciamos em outras comissões”.