Danielle Coimbra
Da Agência Brasil
Brasília – A advogada e missionária do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Michael Mary Nolan informa que as lideranças truká formalizaram um pedido de procedimento para investigação da ação da Polícia Militar na aldeia indígena, na Ilha de Assunção na cidade de Cabrobó (PE). Isso ocorreu hoje durante a reunião com a procuradora Federal do Estado de Pernambuco, Vanessa Cristina Previtera, e o procurador da Fundação Nacional do Índio (Funai), Cláudio Santos de Souza.
"Eles pediram para que os policiais que agridem os índios sejam impedidos de entrar na aldeia, e que apenas os dez policiais já treinados para lidar com os índios possam ter acesso a eles", afirmou Michael Mary Nolan. Ela afirma que o Ministério Público em Pernambuco vai avaliar o pedido.
Michael Mary conta ainda que os Truká pediram que Aurivan dos Santos Barros – conhecido como Neguinho Truká – , detido desde a última segunda-feira (11) no presídio de Salgueiro, seja transferido para outra penitenciária. "A procuradora acatou o pedido, e amanhã ele será transferido para o presídio de Petrolina, onde ele terá mais segurança, já que os Truká temem que os policiais o agridam."
A advogada conta que ele foi preso por causa da acusação de roubar dois bois em 2003 de um fazendeiro que residia na Ilha de Assunção, mas, segundo ela, a Fundação Nacional do Índio (Funai) já pagou o valor referente aos bois. "É um absurdo prender um índio que, junto com sua aldeia, comeu dois bois porque não tinha lugar para cultivar sua plantação", aponta. Michael Mary fala que o problema já foi resolvido entre o fazendeiro e os truká, mas o promotor do caso afirma que Neguinho Truká é "perigoso".
O mandado de prisão contra o índio foi expedido em 26 de agosto de 2003 pelo Desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco Dário Rocha. Mas na ocasião os advogados de defesa entraram com pedido de habeas corpus, e ele não foi preso. Na última segunda-feira, ele foi detido enquanto prestava depoimento à Polícia Federal na cidade de Salgueiro sobre a morte de seu irmão e seu sobrinho – mortos a tiros por policiais à paisana no último dia 30.