Índios terão audiência pública sobre transposição do São Francisco

25/01/2005 - 6h17

Salgueiro (PE) - Os índios das tribos truká, do município de Cabrobó (PE), e tumbalalá, de Curaçá (BA), receberam do Ministério da Integração Nacional e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a garantia de que será realizada no próximo domingo (30), em Cabrobó, uma audiência pública extraordinária para apresentação e discussão do projeto de integração de bacias do São Francisco.

Os índios pediram a reunião extra durante a quarta audiência pública realizada no último sábado (22) pelo Ibama em Salgueiro - sertão central de Pernambuco - para o licenciamento do projeto de integração do Rio São Francisco com as bacias hidrográficas do Nordeste Setentrional. O evento teve duração de cinco horas.

"Os índios estão defendendo os interesses deles e querem saber como o projeto vai afetar as suas comunidades. Isso é bastante salutar. As audiências servem para que possamos ouvir os anseios da população. É importante porque nos ajuda a avaliar o projeto para que possamos fazer os planos ambientais dentro da necessidade das comunidades", afirmou o representante do Ministério da Integração Nacional, João Urbano Cagnin, coordenador técnico do projeto São Francisco.

Vestidos a caráter e com maracás (espécie de chocalho) nas mãos, um grupo formado por cerca de 200 índios das duas tribos lotou o auditório da Escola Municipal Dom Malam, em Salgueiro. Eles moram nas margens do Rio São Francisco e queriam conhecer mais detalhes do projeto de integração de bacias. O cacique Aurivan dos Santos, dos Trukás, perguntou como será feita a retirada da água do Velho Chico. "Somos responsáveis por 87% das 30 mil toneladas de arroz que são produzidas em Cabrobó. Não sabemos como vão ficar as nossas plantações com a retirada da água para os canais do projeto. Por isso, pedimos uma reunião extra para as comunidades indígenas daquela área", explicou.

O Governo Federal já havia alterado o traçado do projeto original do Canal Norte em cinco quilômetros para evitar que a água fosse captada na entrada das terras dos índios Truká. "Aumentamos o custo do projeto em R$ 30 milhões, mas foi a forma encontrada para não afetar as plantações da tribo", disse Urbano Cagnin. Segundo ele, o traçado atual não afeta as plantações dos índios e não provoca nenhum tipo de dano ambiental, econômico ou social às populações ribeirinhas, aí incluídas etnias indígenas da região. "Vamos mostrar isso na audiência pública do dia 30, em Cabrobó", disse Urbano.

O Ibama está conduzindo o processo de concessão da licença ambiental do Projeto São Francisco, que prevê a realização de mais quatro audiências públicas. As próximas estão previstas para hoje (25) em Belo Horizonte, dia 27 em Salvador, dia 31 em Aracaju e dia 2 de fevereiro em Maceió.

Com informações do Ministério da Integração Nacional.