Alunas da UnB escrevem livro-reportagem sobre história da Rádio Nacional

A publicação foi reconhecida pelo Intercom e agraciada com o Prêmio Expocom de 2011

“Das vertentes amazônicas às coxilhas gaúchas, e dos contrafortes andinos ao litoral atlântico, Brasília fará ouvir a sua voz, a partir deste momento, graças aos possantes transmissores da Rádio Nacional, que ora inauguramos”. Essas foram as palavras proferidas pelo então presidente da República, Juscelino Kubitschek na cerimônia de inauguração da Rádio Nacional AM de Brasília, em 1958.

Esta e outras histórias estão no livro É Bom Viver Nacional – Vidas Sintonizadas em 980 kHz de Yvna Sousa e Nathália Mendes. Resultado de um trabalho de conclusão do curso de Comunicação Social da UnB, o livro-reportagem é uma narrativa não só da história da Rádio Nacional AM, mas de Brasília e também dos ouvintes, já que “a história da nacional é, sobretudo, humana”, como pode ser lido em um dos trechos da  narrativa.

“As pessoas que trabalham com rádio costumam ser muito apaixonadas e entusiastas do veículo”, observou Yvna. Foi com base neste amor que as graduandas decidiram produzir um livro-reportagem que contasse a história da emissora mais antiga do DF. Ambas apaixonadas pelo rádio, acabaram decidindo escrever e não narrar essa história por “acreditar que era necessário algo mais duradouro para reunir as informações que encontrávamos” , explica Yvna.

As entrevistas feitas por elas renderam grandes depoimentos. A abertura do livro já mostra a importância que a emissora tem na vida dos ouvintes. “Se tiver jeito, o dia que eu for, eu quero levar o rádio comigo para ouvir a Rádio Nacional. Então, lá em cima, meu amigo, arruma uma tomada que lá vou eu com o meu radinho” disse Lourdes Soares, a Dona Lourdes, eleita a ouvinte-símbolo da rádio.

 A qualidade do trabalho desenvolvido pelas estudantes foi reconhecida pelo Intercom como a melhor iniciativa de conclusão de curso da região centro-oeste na categoria livros e agraciada com o Prêmio Expocom de 2011. O trabalho foi orientado pelo professor Dr. Fernando Oliveira Paulino, responsável pelo Termo de Cooperação entre a UnB e a EBC para a produção do programa da Ouvidoria Rádio em Debate.

Hoje formadas, Nathalia foi recentemente aprovada no concurso da EBC e Yvna trabalha em jornal impresso de circulação nacional, mas a paixão pela Nacional  AM continua. “Nossa intenção é que o livro seja um primeiro registro, feito a partir da memória afetiva das pessoas que fizeram e fazem a história da rádio, e que incentive novas pesquisas” deseja Yvna.

 

Acesse o livro aqui

 

Três perguntas para a autora Yvna Sousa

Qual é o fato mais interessante, curioso, que vocês descobriram durante a pesquisa?

Vários. A rádio já ajudou a encontrar uma jornalista perdida na Amazônia; promoveu o reencontro de famílias separadas; casou ouvintes, e  foi pioneira ao abordar o feminismo no rádio com o programa "Viva Maria". Isso é sensacional.

De onde veio a ideia de fazer um livro sobre a Rádio Nacional?

Durante o curso, estagiei por três meses na Rádio Nacional de Brasília e por nove meses na Ouvidoria das emissoras de rádio da EBC. A experiência contribuiu para aprofundar minha admiração por esse veículo, o que me estimulou a incluir o rádio, de alguma forma, no meu trabalho final. Sabia também do interesse da Nathália pelo tema, então decidimos fazer juntas.

Como foi a recepção que vocês receberam na Rádio?

Todos os funcionários que contatamos foram muito receptivos, nos contaram boas histórias, compartilharam fotos e lembranças. Gostaria de agradecer a todos eles pela ajuda, seja concedendo entrevistas e compartilhando histórias, seja nos indicando novas pessoas para entrevistar ou ajudando a contatá-los.