Preço dos alimentos foi o principal responsável pela alta da inflação em São Paulo no ano passado

05/01/2011 - 17h09

Vinicius Konchinski
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – A inflação na capital paulista em 2010 foi a mais alta desde 2004 e os alimentos, os maiores responsáveis pela elevação recorde do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no município de São Paulo, medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A inflação, no ano passado, somou 6,4%, sendo 2,65 pontos percentuais referentes apenas ao item alimentação.

De acordo com o relatório anual do IPC divulgado hoje (5), os alimentos subiram 12,2% durante o ano. Destaque para a carne bovina, que ficou 34,45% mais cara em 2010. “A carne foi a vilã da inflação. Subiu muito mais que nos outros anos”, afirmou o coordenador do IPC, Antonio Evaldo Comune. “Isso puxou os alimentos e a inflação toda.”

Segundo Comune, a falta de chuvas entre julho e agosto comprometeu os pastos e pressionou o preço da carne. A alta nos preços de produtos básicos como trigo e milho também colaborou com o aumento, tanto dos cortes bovinos quanto dos alimentos em geral.

O aumento dos preços de transporte também influenciou a taxa da inflação municipal. Em 2010, o item transporte teve variação de 7,06%, respondendo por 0,74 ponto percentual do IPC paulistano. A elevação, de acordo com Comune, foi causada, principalmente, pelo reajuste de 17% nas tarifas dos ônibus de São Paulo, em janeiro do ano passado.

Ele disse ainda que o aumento das tarifas de ônibus também vai impactar de forma significativa a inflação deste ano. A partir de hoje, a passagem na capital paulista passa de R$ 2,70 para R$ 3. Só este aumento garante que a inflação de janeiro em São Paulo fique em, no mínimo, 0,35%. “Com o aumento do ônibus e das escolas, eu espero uma inflação de 1,2% em janeiro”, estimou o coordenador do IPC.

De acordo com as projeções da Fipe, entretanto, a alta dos preços deve desacelerar ao longo de 2011. Comune calcula que o IPC anual fique em torno de 4,5%. “Acho que os preços monitorados, que podem ser controlados pelo governo, aumentarão menos em 2011. Isso deve segurar a inflação no ano”, concluiu.

Edição: Vinicius Doria