Ex-mulher de Pitta confirma à CPI do Banestado envio de dólares para o exterior.

17/10/2003 - 17h58

São Paulo 17/10/2003 (Agência Brasil - ABr) - Nicéia Camargo, ex-mulher de Celso Pitta, confirmou hoje o envio irregular de dinheiro ao exterior pelo ex-prefeito de São Paulo, através de contas especiais do Banestado, e voltou a acusar a ex-funcionária do Banco Cidade Sheila Abad de operar a transação.

Nicéia e Sheila participaram hoje de uma acareação, promovida pela CPI do Banestado, na Assembléia Legislativa de São Paulo. De manhã, os integrantes da comissão haviam tomado o depoimento de Sheila, que negou envolvimento nas acusações feitas antes por Nicéia. Sheila desmentiu que fosse doleira de Celso Pitta e disse que esteve na casa do ex-prefeito apenas para conversar sobre a possibilidade de captar financiamento externo para a cidade.

Na acareação, Nicéia reiterou que o dinheiro era enviado por Sheila para uma conta conjunta que tinha com Pitta nos Estados Unidos. Segundo Nicéia, o montante foi transferido para outra conta, na Suíça. A ex-mulher de Pitta informou que dará uma procuração para que os membros da CPI investiguem a conta dos Estados Unidos, que está em seu nome.

A CPI do Banestado investiga o envio ilegal para o exterior de US$ 30 bilhões, no período de 1996 a 1999, por meio de contas especiais de agências do Banestado, extinto em 2000.

Os membros da CPI também ouviram hoje o comerciante Renato Lanzuolo Filho. Ele disse que foi sido usado como "laranja" no envio ilegal de mais de US$ 30 milhões para o exterior. Lanzuolo contou que recebeu de um conhecido uma proposta para utilizar uma conta no Banco Ocean, nos Estados Unidos para realizar transações financeiras. O comerciante informou que abriu a conta para facilitar a importação de carros, ramo no qual trabalhava. Já o ex-sócio e cunhado de Lanzuolo, Márcio Veiga, também ouvido pela CPI, negou qualquer envolvimento no caso.

O proprietário da empreiteira Costaço, Ricardo Augusto da Costa, prestou depoimento em audiência privada. Ainda hoje, a CPI deve ouvir Yaa Fuan Kwi Fua, sócia majoritária da empresa Tai-Chi Turismo.

Flávia Albuquerque e Liésio Pereira