primeira hora de vida http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/taxonomy/term/166275/all pt-br Bebês amamentados na primeira hora de vida têm menos chance de usar bicos artificiais http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2013-06-30/bebes-amamentados-na-primeira-hora-de-vida-tem-menos-chance-de-usar-bicos-artificiais <p>Thais Leit&atilde;o<br /> <em>Rep&oacute;rter da Ag&ecirc;ncia Brasil</em></p> <p> Bras&iacute;lia - Os beb&ecirc;s que s&atilde;o amamentados na primeira hora de vida t&ecirc;m menor chance de usar os chamados bicos artificiais, como chupetas e mamadeiras, ao longo da inf&acirc;ncia. De acordo com especialistas, o uso desses produtos pode trazer consequ&ecirc;ncias negativas &agrave; sa&uacute;de das crian&ccedil;as, favorecendo altera&ccedil;&otilde;es na linguagem, o desenvolvimento da respira&ccedil;&atilde;o bucal e o surgimento de otites (inflama&ccedil;&otilde;es no ouvido). A conclus&atilde;o consta de um estudo da Faculdade de Sa&uacute;de P&uacute;blica da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), que avaliou a pr&aacute;tica em 34.366 crian&ccedil;as menores de um ano residentes em capitais brasileiras.</p> <p> Os dados foram obtidos a partir da an&aacute;lise de indicadores da 2&ordf; Pesquisa de Preval&ecirc;ncia de Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e no Distrito Federal, do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.</p> <p> Segundo a fonoaudi&oacute;loga Gabriela Buccini, respons&aacute;vel pela pesquisa, do total de beb&ecirc;s observados, 70% foram amamentados na primeira hora de vida. Entre eles, 19% fizeram uso de chupeta, 41% fizeram uso de mamadeira e 45% usaram os dois produtos. Os percentuais, em todos os casos, s&atilde;o menores do que os encontrados nos beb&ecirc;s que foram privados do aleitamento materno na primeira hora ap&oacute;s o nascimento. Entre os que n&atilde;o mamaram, 21% fizeram uso de chupeta, 44% fizeram uso de mamadeira e 50% usaram chupeta e mamadeira. A pesquisadora destacou que, embora percentualmente as diferen&ccedil;as encontradas pare&ccedil;am pequenas, em termos estat&iacute;sticos elas s&atilde;o &quot;extremamente significativas&quot;. Em sua avalia&ccedil;&atilde;o, muitas m&atilde;es oferecem os bicos artificiais como forma de acalentar os beb&ecirc;s mais rapidamente.</p> <p> &quot;Acredito que o ritmo de vida da atualidade tem influ&ecirc;ncia nessa pr&aacute;tica, porque com tudo t&atilde;o corrido muitas vezes as pessoas n&atilde;o t&ecirc;m tempo de lidar com os sentimentos dos outros e de ensinar seus filhos a lidar com seus pr&oacute;prios sentimentos. Ent&atilde;o, a chupeta e a mamadeira surgem como forma artificial, mas urgente, de lidar com tudo isso&quot;, disse.</p> <p> &quot;O problema &eacute; que esses objetos n&atilde;o passam o afeto, o carinho e a aten&ccedil;&atilde;o t&atilde;o importantes para o desenvolvimento emocional das crian&ccedil;as&quot;, acrescentou, enfatizando que o uso de bicos artificiais tamb&eacute;m contribui para a redu&ccedil;&atilde;o no tempo de aleitamento materno, &quot;estrat&eacute;gia que mais previne mortes infantis, al&eacute;m de promover a sa&uacute;de f&iacute;sica, mental e ps&iacute;quica da crian&ccedil;a&quot;.</p> <p> Ainda segundo a pesquisadora, estima-se que a amamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; capaz de reduzir em 13% as mortes em crian&ccedil;as menores de 5 anos, assim como em 19% a 22% as mortes neonatais, se praticada na primeira hora de vida.</p> <p> Para a odont&oacute;loga Em&iacute;lia Biato, professora do Departamento de Sa&uacute;de Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso, n&atilde;o se pode adotar uma postura radical de condena&ccedil;&atilde;o ao uso de chupetas e mamadeiras, na medida em que h&aacute; casos em que ele se faz necess&aacute;rio, como diante da recomenda&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica de complemento com f&oacute;rmulas nutricionais. Ela ressaltou, entretanto, que as m&atilde;es devem, sempre que poss&iacute;vel, evitar o uso desses produtos e valorizar a pr&aacute;tica da amamenta&ccedil;&atilde;o.</p> <p> &quot;O uso de bicos artificiais, especialmente nesse in&iacute;cio de vida, pode confundir a crian&ccedil;a que, ao experimentar bicos mais moles e macios perde a vontade de mamar no seio materno. S&oacute; que &eacute; essa pr&aacute;tica (mamar no seio) que, al&eacute;m de garantir os nutrientes necess&aacute;rios &agrave; crian&ccedil;a, favorece o posicionamento, o movimento e a for&ccedil;a adequados da l&iacute;ngua e dos m&uacute;sculos da face que permitem o desenvolvimento correto dos ossos dessa regi&atilde;o&quot;, explicou.</p> <p> A professora aposentada Edna de Freitas, 59 anos, n&atilde;o conseguiu amamentar sua filha na d&eacute;cada de 1970. Por sentir fortes dores com as fissuras no seio e por n&atilde;o ter recebido orienta&ccedil;&atilde;o adequada sobre a import&acirc;ncia da pr&aacute;tica, ela desistiu poucos dias ap&oacute;s o parto. Trinta anos depois, a aposentada conta que incentivou a filha a insistir no aleitamento de seus netos.</p> <p> &quot;Naquela &eacute;poca n&atilde;o se falava tanto sobre os benef&iacute;cios da amamenta&ccedil;&atilde;o e eu acabei deixando para l&aacute; e substituindo pela mamadeira. Hoje, vejo como as crian&ccedil;as que mamam no peito s&atilde;o mais saud&aacute;veis em v&aacute;rios aspectos. Quando virei av&oacute;, ajudei a minha filha a amamentar e conversei muito com ela para que n&atilde;o desistisse. O resultado &eacute; que meus netos s&atilde;o fortes e dificilmente ficam doentes. Al&eacute;m do v&iacute;nculo lindo que desenvolveram com a m&atilde;e, certamente iniciado no per&iacute;odo da amamenta&ccedil;&atilde;o&quot;, disse.</p> <p> De acordo com o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, o uso da chupeta &eacute; desaconselhado pela possibilidade de interferir negativamente na dura&ccedil;&atilde;o do aleitamento materno e por estar associado &agrave; maior ocorr&ecirc;ncia de candid&iacute;ase oral (sapinho), de otite m&eacute;dia e de altera&ccedil;&otilde;es do palato. Al&eacute;m disso, a pasta considera que o desmame precoce, favorecido pelo uso de bicos aritificais, pode comprometer o desenvolvimento motor adequado da regi&atilde;o oral e prejudicar as fun&ccedil;&otilde;es de mastiga&ccedil;&atilde;o, degluti&ccedil;&atilde;o, respira&ccedil;&atilde;o e articula&ccedil;&atilde;o dos sons da fala.</p> <p> <em>Edi&ccedil;&atilde;o: Gra&ccedil;a Adjuto</em></p> <p> <em>Todo o conte&uacute;do deste site est&aacute; publicado sob a Licen&ccedil;a Creative Commons Atribui&ccedil;&atilde;o 3.0 Brasil. 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