acusada http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/taxonomy/term/152777/all pt-br Furto de obra rara da biblioteca de Belas Artes do Rio tramita na Justiça; acusada nega envolvimento no caso http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2013-02-02/furto-de-obra-rara-da-biblioteca-de-belas-artes-do-rio-tramita-na-justica-acusada-nega-envolvimento-n <p> Paulo Virgilio<br /> <em>Rep&oacute;rter da Ag&ecirc;ncia Brasil</em></p> <p> Rio de Janeiro - Um dos maiores patrim&ocirc;nios culturais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a biblioteca da Escola de Belas Artes (EBA) conserva um rico acervo de obras raras, constitu&iacute;do, em grande parte, pelos livros que chegaram ao Brasil pelas m&atilde;os da Miss&atilde;o Art&iacute;stica Francesa, trazida pelo rei dom Jo&atilde;o VI. Ao todo, s&atilde;o consideradas raridades cerca de 800 livros, dos mais de 30 mil t&iacute;tulos existentes na biblioteca, a mais antiga da universidade.</p> <p> Em fevereiro de 2006, a biblioteca da EBA foi alvo de furto que resultou em um processo que ainda hoje tramita na 4&ordf; Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Duas mulheres, que se identificaram como pesquisadoras, compareceram tr&ecirc;s vezes &agrave; biblioteca para consultar as obras raras e, na &uacute;ltima visita, sa&iacute;ram levando o livro <em>Ornithologie Br&eacute;silienne, Histoire des Oiseaux du Br&eacute;si</em>l, de Descourtilz, datado de 1852.<br /> &nbsp;<br /> &ldquo;O furto ocorreu na v&eacute;spera do carnaval. Eu me lembro que uma das duas mulheres estava gr&aacute;vida&rdquo;, conta a professora &Acirc;ngela Luz, na &eacute;poca diretora da Escola de Belas Artes. &ldquo;As duas preencheram as fichas, como faz qualquer visitante, fizeram sucessivas consultas e foram, aos poucos, ganhando a confian&ccedil;a das bibliotec&aacute;rias&rdquo;, recorda &Acirc;ngela.</p> <p> &ldquo;No &uacute;ltimo dia, uma delas se levantou, dizendo que ia ao banheiro e a outra continuou pesquisando os livros, mas, depois, foi embora. A bibliotec&aacute;ria estranhou e foi at&eacute; &agrave; mesa, constatando que elas tinham deixado alguns objetos pessoais, como uma caixa de &oacute;culos sobre a mesa. E, ao recolhermos os livros, vimos que da obra rara sobre os p&aacute;ssaros s&oacute; havia a capa dura. O miolo do livro tinha sido retirado e, em seu lugar, foi colocado um atlas antigo, do mesmo tamanho&rdquo;, relata a ent&atilde;o diretora da faculdade, que imediatamente comunicou o fato &agrave; Pol&iacute;cia Federal.</p> <p> &ldquo;Envolvemos os objetos pessoais que elas deixaram em um pl&aacute;stico bolha. Esse material foi entregue &agrave; pol&iacute;cia&rdquo;, conta &Acirc;ngela Luz, para quem as impress&otilde;es digitais deixadas nos objetos ajudaram na identifica&ccedil;&atilde;o das autoras do furto.</p> <p> O livro foi encontrado em 2007, em S&atilde;o Paulo, pela Pol&iacute;cia Federal, que estava investigando outros furtos de obras raras cometidos pelo mesmo grupo. No meio de v&aacute;rios livros furtados de outras institui&ccedil;&otilde;es, estava o miolo de <em>Histoire des Oiseaux du Br&eacute;sil</em>. &nbsp;No dia 27 de outubro daquele ano, a professora &Acirc;ngela Luz viajou at&eacute; a capital paulista para identificar e trazer de volta a obra.</p> <p> O epis&oacute;dio obrigou a Escola de Belas Artes, assim como outras unidades da UFRJ, a refor&ccedil;arem o sistema de seguran&ccedil;a de suas bibliotecas. Al&eacute;m da vigil&acirc;ncia das c&acirc;meras, a consulta &agrave;s obras raras exige o preenchimento de uma ficha informando a raz&atilde;o e uma carta de encaminhamento da dire&ccedil;&atilde;o da escola. As obras s&atilde;o ainda protegidas por uma etiqueta antifurto e por alarme.</p> <p> O caso resultou em den&uacute;ncia do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal (MPF), encaminhada &agrave; Justi&ccedil;a Federal. As investiga&ccedil;&otilde;es levaram aos nomes das supostas autoras do furto &ndash; Iwaloo Cristina Santana Sakamoto e Ver&ocirc;nica da Silva Santos - e tamb&eacute;m ao de La&eacute;ssio Rodrigues de Oliveira que, segundo o MPF, j&aacute; esteve envolvido em diversos furtos em museus e bibliotecas.</p> <p> De acordo com a den&uacute;ncia do MPF, La&eacute;ssio integra, juntamente com Iwaloo, Edina Raquel de Souza Cordeiro, Marcos Pereira Machado e Ricardo Pereira Machado, um grupo especializado em furtar e vender obras raras de acervos de museus e funda&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. Outra den&uacute;ncia tramita contra o grupo na 4&ordf; Vara Federal Criminal do Rio, sob a responsabilidade do procurador Carlos Alberto Aguiar.</p> <p> Estudante de biblioteconomia, La&eacute;ssio, apontado como o l&iacute;der do grupo, foi preso pela Pol&iacute;cia Federal em outubro de 2006, juntamente com Iwaloo, Edina Raquel e Marcos Pereira Machado. Segundo a investiga&ccedil;&atilde;o policial, o grupo planejava furtar pe&ccedil;as raras da Funda&ccedil;&atilde;o Casa de Ruy Barbosa, em Botafogo, na zona sul do Rio.</p> <p> No dia 2 de janeiro, a <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> publicou reportagem sobre a den&uacute;ncia do MPF, encaminhada &agrave; 4&ordf; Vara Criminal Federal do Rio, a respeito do furto na Escola de Belas Artes. A den&uacute;ncia, a cargo do procurador Jos&eacute; Guilherme Ferraz, faz men&ccedil;&atilde;o a uma c&oacute;pia do documento de controle de entrada de leitores da Biblioteca Nacional, onde as duas supostas autoras do furto estiveram, com seus nomes verdadeiros, na v&eacute;spera de sua primeira visita &agrave; biblioteca da Escola de Belas Artes.</p> <p> Procurada agora pela <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong>, Iwaloo Cristina Sakamoto alega que foi acusada de um ato que n&atilde;o cometeu. Ao depor na pol&iacute;cia, ela tamb&eacute;m negou estar envolvida no furto ocorrido na biblioteca da EBA. Em fun&ccedil;&atilde;o do epis&oacute;dio da Casa de Ruy Barbosa, Iwaloo ficou detida por quatro meses.</p> <p> &ldquo;Eu n&atilde;o estou envolvida. Isso a&iacute; est&aacute; no ano de 2006. Pra te falar a verdade, eu nem me lembro se estive mesmo no Rio em 2006. Agora, eu n&atilde;o estou envolvida. Eu nunca fui a essa faculdade. Eu nem sei onde ela fica&rdquo;, disse Iwaloo que, no entanto, admitiu ter ido &agrave; Biblioteca Nacional. &ldquo;Se eu estive na Biblioteca Nacional foi em car&aacute;ter de passeio, de turismo no Rio de Janeiro, nada mais al&eacute;m disso&rdquo;, acrescentou.</p> <p> Iwaloo Sakamoto atribuiu o fato de ter sido acusada do furto &agrave; rela&ccedil;&atilde;o de amizade que mant&eacute;m com La&eacute;ssio Rodrigues de Oliveira. &ldquo;Pelo fato de eu ter amizade com o La&eacute;ssio, n&atilde;o significa que eu participe das mesmas coisas que ele. Ali&aacute;s, fui presa por causa disso, por minha amizade com ele.&rdquo;</p> <p> Depois de quatro meses na Penitenci&aacute;ria Bangu 7, Iwaloo, que estava gr&aacute;vida, ganhou a liberdade cinco dias antes de seu filho nascer. Desde ent&atilde;o, responde em liberdade ao processo que corre sobre o furto na Casa de Ruy Barbosa, caso em que ela tamb&eacute;m alega inoc&ecirc;ncia.</p> <p> &ldquo;Na Funda&ccedil;&atilde;o Rui Barbosa, eu n&atilde;o roubei nada l&aacute;, entendeu? Simplesmente foi feito um favor para um amigo do La&eacute;ssio. Eu s&oacute; fui l&aacute; para verificar, mas nada al&eacute;m disso. Eu n&atilde;o levei nada, eles n&atilde;o t&ecirc;m como provar, porque eu realmente n&atilde;o fiz nada. Eles est&atilde;o me indiciando. Dizem que este mercado [furto de obras raras] &eacute; o quarto maior de coisas il&iacute;citas, mas eu moro de aluguel, eu estou gr&aacute;vida e meu filho n&atilde;o tem nenhum enxoval. Eu n&atilde;o tenho dinheiro e n&atilde;o tenho como, voc&ecirc; me entende? Eu s&oacute; estou gastando dinheiro com advogado. Se eu tivesse ganho algum tipo de lucro, eu n&atilde;o tive lucro nenhum. S&oacute; preju&iacute;zo&rdquo;, relatou a acusada.</p> <p> Por interm&eacute;dio da assessoria de comunica&ccedil;&atilde;o do MPF no Rio, o procurador Jos&eacute; Guilherme Ferraz disse que, no momento, n&atilde;o tem mais nada a informar sobre a den&uacute;ncia enviada &agrave; Justi&ccedil;a Federal, al&eacute;m do que j&aacute; disse no in&iacute;cio de janeiro. Se for condenada na A&ccedil;&atilde;o Penal 0812174-92/2007, que tramita na 4&ordf; Vara Federal Criminal do Rio, Iwaloo Cristina Sakamoto pode pegar de dois a oito anos de pris&atilde;o.</p> <p> <br /> <em>Edi&ccedil;&atilde;o: Lana Cristina</em></p> <p class="western" style="margin-bottom: 0cm"> <em><font face="Verdana, sans-serif"><font size="2">Todo o conte&uacute;do deste site est&aacute; publicado sob a Licen&ccedil;a Creative Commons Atribui&ccedil;&atilde;o 3.0 Brasil. Para reproduzir as mat&eacute;rias &eacute; necess&aacute;rio apenas dar cr&eacute;dito &agrave;</font></font></em><strong><em><font face="Verdana, sans-serif"><font size="2"> Ag&ecirc;ncia Brasil </font></font></em></strong></p> acervo acusada biblioteca Biblioteca de Belas Artes denúncia envolvimento furto Justiça Justiça livros obra rara obras raras rio ufrj Universidade Federal do Rio de Janeiro Sat, 02 Feb 2013 14:34:32 +0000 gracaadjuto 713093 at http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil