assassinatos em São Paulo https://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil//taxonomy/term/148091/all pt-br Ficha criminal de vítima de homicídio foi acessada pela polícia momentos antes da morte, diz delegado-geral de SP https://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil//noticia/2012-11-22/ficha-criminal-de-vitima-de-homicidio-foi-acessada-pela-policia-momentos-antes-da-morte-diz-delegado- <p> Camila Maciel<br /> <em>Rep&oacute;rter da Ag&ecirc;ncia Brasil</em></p> <p> S&atilde;o Paulo &ndash; O delegado-geral da Pol&iacute;cia Civil de S&atilde;o Paulo, Marcos Carneiro de Lima, disse hoje (22) que pelo menos uma v&iacute;tima de homic&iacute;dio na capital paulista, dentre os recentes casos de assassinatos, teve sua ficha de antecedentes criminais verificada pelo sistema da pol&iacute;cia pouco antes do crime. Isso seria, na opini&atilde;o de Lima, um ind&iacute;cio da participa&ccedil;&atilde;o de policiais nas mortes com caracter&iacute;sticas de execu&ccedil;&atilde;o.</p> <p> &ldquo;Foi mandado verificar e constatamos isso. Em v&aacute;rios crimes de homic&iacute;dio&nbsp; no passado [cometidos anteriormente &agrave; onda atual de viol&ecirc;ncia no estado], n&oacute;s detectamos que antes de serem mortas, [as v&iacute;timas] tiveram os atestados de antecedentes pesquisados pela pol&iacute;cia. Isso &eacute; muito emblem&aacute;tico&rdquo;, disse ap&oacute;s cerim&ocirc;nia de posse do novo secret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, Fernando Grella, no Pal&aacute;cio dos Bandeirantes.</p> <p> Para o chefe da Pol&iacute;cia Civil, essa a&ccedil;&atilde;o &eacute; um ind&iacute;cio de que h&aacute; participa&ccedil;&atilde;o de policiais nas mortes com caracter&iacute;sticas de execu&ccedil;&atilde;o (disparos feitos por homens encapuzados em motos) ocorridas na Grande S&atilde;o Paulo nos &uacute;ltimos meses. &ldquo;O que tem que ser dito &eacute; que o comando da pol&iacute;cia n&atilde;o compactua com o policial que quer fazer justi&ccedil;a com as pr&oacute;prias m&atilde;os. Policial que comete crime &eacute; pior que bandido&rdquo;, disse.</p> <p> O delegado-geral n&atilde;o esclareceu o caso em que a pr&aacute;tica foi constatada. &ldquo;A morte foi na capital e a pesquisa foi na Grande S&atilde;o Paulo. N&atilde;o lembro o caso com detalhe, mas foi pouco antes da morte&rdquo;, disse. Segundo Lima, o sistema n&atilde;o permite identificar o policial respons&aacute;vel pela busca. &ldquo;N&atilde;o d&aacute; pra identificar, porque o que eles alegam &eacute; que s&atilde;o milhares de pesquisas. Isso &eacute; uma falha, vamos mudar&rdquo;, prometeu.</p> <p> O hor&aacute;rio e a localiza&ccedil;&atilde;o das mortes de civis tamb&eacute;m apontam para uma poss&iacute;vel vingan&ccedil;a da morte de policiais, explica o delegado-geral. &ldquo;A pr&oacute;pria sociedade ao receber a informa&ccedil;&atilde;o de que oito homic&iacute;dios aconteceram em um espa&ccedil;o de tempo curto, em um espa&ccedil;o geogr&aacute;fico pequeno, [percebe que] alguma coisa estranha est&aacute; acontecendo&rdquo;, disse.</p> <p> Lima defendeu que a investiga&ccedil;&atilde;o dos crimes deve ser feita pela Pol&iacute;cia Civil. &ldquo;Essa divis&atilde;o de pessoal que patrulha e previne e pessoal que investiga &eacute; o padr&atilde;o internacional. No mundo inteiro &eacute; assim. N&atilde;o adianta querer inventar a terceira pol&iacute;cia, quarta pol&iacute;cia&rdquo;, criticou.</p> <p> Durante a cerim&ocirc;nia de posse, o ex-secret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, Antonio Ferreira Pinto, comentou as cr&iacute;ticas feitas &agrave; atua&ccedil;&atilde;o das tropas das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), que teriam assumido parte das investiga&ccedil;&otilde;es do crime organizado. &ldquo;A Rota n&atilde;o atuou nas investiga&ccedil;&otilde;es na ponta, n&atilde;o tirou atribui&ccedil;&atilde;o de ningu&eacute;m. Nunca a [Pol&iacute;cia] Civil foi afastada da investiga&ccedil;&atilde;o e do crime organizado, mas &eacute; verdade que eu prestigiei a Rota e me orgulho disso&rdquo;, disse.</p> <p> Na avalia&ccedil;&atilde;o do especialista em seguran&ccedil;a p&uacute;blica Guaracy Mingardi, conforme entrevista &agrave; <strong>Ag&ecirc;ncia Brasil</strong> no in&iacute;cio do m&ecirc;s, uma a&ccedil;&atilde;o da Rota, no m&ecirc;s de maio, pode ter dado origem &agrave; onda de viol&ecirc;ncia na Grande S&atilde;o Paulo.</p> <p> De acordo com informa&ccedil;&otilde;es da Ouvidoria da Pol&iacute;cia Militar, o caso ocorreu no dia 28 de maio, quando um homem detido ap&oacute;s um tiroteio, no bairro da Penha, zona leste da capital paulista, foi morto por policiais da Rota no acostamento da Rodovia Ayrton Senna, quando era conduzido a um hospital. Ap&oacute;s a den&uacute;ncia de uma testemunha, tr&ecirc;s policiais foram presos. Na opera&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia, que contou com apoio de outros carros da Rota, cinco supostos criminosos foram mortos porque reagiram &agrave; pris&atilde;o. O tiroteio ocorreu na lanchonete de um lava-r&aacute;pido.</p> <p> Na vers&atilde;o da PM, os policiais foram recebidos a tiros por um grupo que foi denunciado por planejar o resgate de um chefe da fac&ccedil;&atilde;o Primeiro Comando da Capital (PCC). Na a&ccedil;&atilde;o, seis homens foram atingidos por tiros, cinco deles morreram no local. Tr&ecirc;s foram presos e cinco conseguiram fugir.</p> <p> O delegado-geral, ao comentar a declara&ccedil;&atilde;o do ex-secret&aacute;rio, tamb&eacute;m nega a atua&ccedil;&atilde;o da Rota na investiga&ccedil;&atilde;o. &ldquo;A informa&ccedil;&atilde;o que era dada &eacute; que tinha uma den&uacute;ncia an&ocirc;nima, eles iam e faziam o trabalho deles. Cabia &agrave; Pol&iacute;cia Civil, a partir da presun&ccedil;&atilde;o da verdade, receber a informa&ccedil;&atilde;o. Se o policial for pego na mentira, ele &eacute; expulso da corpora&ccedil;&atilde;o&rdquo;, disse.</p> <p> <em>Edi&ccedil;&atilde;o: F&aacute;bio Massalli</em></p> assassinato assassinatos em São Paulo crime morte de PM mortes em são paulo Nacional polícia violência violência em São Paulo Thu, 22 Nov 2012 19:37:14 +0000 fabio.massalli 708463 at https://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/